terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
UM PSICANALISTA ESCREVENDO SOBRE CRISTO
Deus é paciente, o tempo divino é todo o tempo e, portanto, abolição do tempo, enquanto sudário da morte. Deus se mistura ao nosso barro, nasce, vive, morre e ressuscita conosco. O companheiro. Cristo companheiro, acompanhante, acompanhado. O amigo, o viandante, o peregrino, senhor do Verbo. Cristo é a juventude do mundo. Sua esperança. Sua tenaz - terna, eterna - esperança. Lâmina de acerados açúcares, vulnerante e irresistível.
Somos fuliginosos, perplexos, desgarrados e tristes. Somos seres humanos, transmudados por Cristo, homem divino. Somos bichos da terra, tão pequenos, mas o fogo do amor de Deus mora em nós. Por isto, temos a possibilidade da louca alegria. Cristo bailarino. Cristo dançarino. O mais próximo Próximo. Ali, na esquina, está ele, e nos olha. Naquele bar, naquele beco, naquela masmorra, hospital ou cortiço. Onde a carne sofre, aí está o Cristo, crucificado. Onde a carne ama, aí está o Cristo, glorificado. Onde está o homem, aí está o Cristo, suprema possibilidade do humano. Aqui.
(...) Somos deuses, por decreto de uma criança que nasce. Carreguemo-la conosco - nosso centro. Entre quedas, desistências, covardia e grandezas, somos deuses. Há uma criança eterna em nós, que a cada dia quer nascer. A insofrida antemanhã. Que a cada momento a ajudemos. A incessante maiêutica. O parto, na agonia do caminho, da verdade e da vida. Por mão do mestre Jesus, carpinteiro, companheiro, fiador da justiça no mundo.
Pellegrino, Hélio. A burrice do Demônio. Rio de Janeiro: Rocco, 1989
Dedico este texto a um grande amigo-irmão, missionário de Deus na terra.Não o conheço pessoalmente, mas seu olhar revela a grandeza de sua alma.Quem olhar além dos olhos dele verá.Quem ouvir sua palavra autêntica, profunda, por vezes dolorida de ouvir, vinda diretamente do espírito, saberá.Obrigada, meu jovem e belo amigo mineiro vindo de Formiga.Obrigada pelo dom que tens de curar pela palavra.Porque sua fé transpassa cada verbo que proferes.Tu falas de espírito para espírito.Há quanto tempo eu não via alguém assim.Obrigda por existir.
Monica Dib
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
CONSOLO NA PRAIA
domingo, 7 de fevereiro de 2010
O Sofrimento do Hipócrita
Lendo este trecho do livro de Victor Hugo, lembrei-me dos inúmeros hipócritas com os quais nos deparamos no dia a dia.Uma "homenagem" fenomenológica a esses "anjos malditos" que abundam na humanidade e que permeiam nossas relações sociais a maior parte do tempo.Sim, senhores precisamos aprender a conviver com o belo veneno que deles (hipócritas) exala sem dele provar.
Ter mentido é ter sofrido. O hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga.
Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso.
O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho.
Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.
Victor Hugo (1802-1885), in: "Os Trabalhadores do Mar"
sábado, 6 de fevereiro de 2010
OPINIÃO SOBRE "A TERRA DOS AFEGÃOS"
Para Afeganistão ter futuro, é preciso aprender com passado
Sábado, 6 de fevereiro de 2010, 08h02
Mikhail Gorbachev, Do The New York Times
O Afeganistão está em tumulto, com tensões emergindo e pessoas morrendo a cada dia. Muitas delas - inclusive mulheres, crianças e os idosos - não têm nada em comum com terroristas ou militantes.
O governo está perdendo o controle de seu território: das 34 províncias, o Talibã controla uma dúzia. A produção e a exportação de narcóticos estão crescendo. Há um perigo real de que a desestabilização se estenda a países vizinhos, inclusive para as repúblicas da Ásia Central, assim como para o Paquistão.
O que teve início após o 11 de setembro, como uma resposta militar aparentemente apropriada contra a enraização do terrorismo, poderia terminar em um grande fracasso estratégico.
Precisamos entender porque isso está acontecendo e o que ainda pode ser feito para mudar uma situação quase desastrosa. A recente conferência em Londres, em que participaram representantes de muitos países e de diversas organizações internacionais, é um primeiro passo em uma nova direção.
Após preparações diligentes, os delegados presentes na reunião de Londres adotaram decisões que poderiam ajudar a mudar as coisas - mas apenas se a experiência das últimas décadas for reavaliada e se suas lições forem aprendidas.
Em 1979, a liderança soviética enviou tropas ao Afeganistão, justificando tal estratégia não apenas pelo desejo de ajudar elementos amigáveis lá, mas também pela necessidade de estabilizar um país vizinho. O maior erro foi não compreender a complexidade do Afeganistão - sua miscelânea de grupos étnicos, clãs e tribos, suas tradições únicas e sua governança ínfima.
O resultado foi o oposto do que pretendíamos: instabilidade ainda maior, uma guerra com milhares de vítimas e consequências perigosas para o nosso próprio país. Além disso, o Ocidente, particularmente os Estados Unidos, manteve aceso o fogo do espírito da Guerra Fria; ele permaneceu pronto para dar apoio a qualquer um que estivesse contra a União Soviética, não pensando nas possíveis consequências de longo prazo.
Como parte da Perestroika, na metade da década de 1980, a nova liderança soviética tirou conclusões de nossos problemas no Afeganistão. Tomamos duas decisões cruciais. Em primeiro lugar, estabelecemos a meta de retirar nossas tropas. Em segundo lugar, pretendíamos trabalhar com todas as partes no conflito e com os governos envolvidos para atingirmos a reconciliação nacional no Afeganistão e o transformamos em um país pacífico e neutro que não ameaçava ninguém.
Olhando para trás, ainda acredito que este foi um caminho de mão dupla apropriado e responsável. Tenho certeza de que se tivéssemos sido totalmente bem-sucedidos, muitos problemas e desastres poderiam ter sido evitados. Nossa nova política não era apenas uma declaração; durante meu mandato, trabalhamos duro e com boa-fé para implementá-la. Para alcançarmos o sucesso, precisávamos de uma cooperação sincera e responsável de todos os lados. O governo afegão estava pronto para chegar a um acordo e chegou até mais do que a metade do caminho para atingir a reconciliação. Em uma série de regiões, as coisas começaram a melhorar.
Contudo, o Paquistão, particularmente o alto comando, e os Estados Unidos bloquearam todas as avenidas para o progresso. Eles queriam uma coisa: a retirada das tropas soviéticas, o que eles pensaram que os deixaria com controle total. Ao negar ao governo do presidente afegão, Muhammad Najibulla, qualquer nível de apoio, Boris Yeltsin ficou em suas mãos quando assumiu.
Durante a década de 1990, o mundo parecia indiferente ao Afeganistão. Naquela década, o governo do país caiu nas mãos do Talibã, que transformou o Afeganistão em um paraíso para os fundamentalistas islâmicos e em uma incubadora do terrorismo. O 11 de setembro foi um rude despertar para os líderes ocidentais. Mesmo então, contudo, o Ocidente tomou uma decisão que não foi cuidadosamente considerada e que, portanto, provou ser falha.
Após suplantar o governo do Talibã, os Estados Unidos acreditaram que a vitória militar, atingida a um baixo custo, era definitiva e tinha basicamente resolvido o problema a longo prazo. O sucesso inicial foi provavelmente uma das razoes que explicam porque os americanos esperavam uma "passarela" no Iraque, dando um passo fatal em uma estratégia militarista lá também. Enquanto isso, eles construíram uma fachada democrática no Afeganistão, a ser protegida pela força de assistência à segurança internacional, isto é, as tropas da OTAN. Cada vez mais, a OTAN buscou assumir o papel de polícia global.
O resto é história. O caminho militar no Afeganistão mostrou ser cada vez menos sustentável. Este era um segredo aberto; até mesmo o embaixador dos EUA afirmou isso recentemente.
Nos últimos meses, muitos têm me perguntado o que eu recomendaria ao Presidente Obama, que herdou esta bagunça de seu predecessor. Minha resposta é sempre a mesma: uma solução política e a retirada das tropas. Isso requer uma estratégia de reconciliação nacional.
Agora, finalmente, uma estratégia muito similar àquela que oferecemos há mais de duas décadas e que nossos parceiros rechaçaram foi apresentada na reunião de Londres: reconciliação, envolvendo todos os elementos mais ou menos razoáveis na reconstrução, e enfatizando uma solução política, ao invés de uma solução militar.
As chances de sucesso - sucesso ao invés de "vitória" militar - são, na melhor das hipóteses, de cinquenta por cento. Houve alguns contatos com certos elementos dentro do Talibã. Ainda resta mais a ser feito para incorporar o Irã ao processo; muito trabalho duro permanece por ser feito com os paquistaneses.
A Rússia pode transformar-se em uma parte importante do processo de assentamento afegão. O Ocidente deveria compreender a posição que os líderes russos estão tomando no Afeganistão. Longe de vangloriar-se e deixar o Ocidente segurar a barra enquanto lavamos nossas mãos em relação a tudo isso, a Rússia está pronta para cooperar com o Ocidente, porque ela compreende que é parte de seus melhores interesses conter as ameaças vindas do Afeganistão.
A Rússia é vizinha do Afeganistão, e seus interesses devem ser levados em consideração. A lógica parece autoevidente, mas às vezes um lembrete pode ser útil.
Eu gostaria de ter a esperança de que uma nova fase está nascendo para o tão sofrido Afeganistão, com um raio de esperança para os seus milhões de habitantes. A chance está lá, mas muito é necessário para agarrar a nova oportunidade: realismo, persistência e, por ultimo, mas não menos importante, honestidade para aprender com os erros do passado e a capacidade de agir com base em tal conhecimento.
Mikhail Gorbachev foi líder da extinta União Soviética de 1985 até o seu colapso em 1991. Laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1990, ele é atualmente o presidente da Fundação Internacional de Estudos Socioeconômicos e Políticos (A Fundação Gorbachev).
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O LIMITE ABRE AS PORTAS PARA A LIBERDADE
Um verdadeiro "show" de psicologia.Escrevo com conhecimento de causa.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Tempo Atemporal, Tempo Volátil, Tempos Sombrios.
Lembro da minha mãe, quando tínhamos uma vida humilde, confeccionando minhas roupas.Eu ajudava ela a cortar os tecidos.Depois tinha que experimentar para fazer os ajustes finais, para que o caimento da roupa ficasse perfeito.
Recordo que enviava cartas para primos e primas pelo correio e , quando o carteiro chegava, eu ia correndo ver se alguma carta era para mim.
Acreditem (pelo menos os que tem menos de 30 anos) isso não faz tanto tempo não.Os tempos mudaram.E de forma muito rápida e radical, a ponto de afetar nosso modo de ser e viver.
Hoje somos impacientes: ficamos irritados com internet lenta; quando a fila de um fast food está grande ou quando não gostamos daquela roupa que vimos na vitrine depois que experimentamos.Quando o celular do outro lado demora a atender.
Não temos tempo mais para estudar.Ler livros é perda de tempo.Exceto os ditos “livros de auto-ajuda”, onde muitos procuram buscar soluções para seus sofrimentos e a busca imediata da felicidade.Não há tempo para olhar dentro de si.Não há tempo para reflexão.
Já se foi o tempo de ler os grandes clássicos da literatura; poucos se interessam pelos autores nacionais como Machado de Assis, Drummond, Mário Quintana, Clarice Lispector, ou mesmo os internacionais como Goethe, Dostoievski, Hannah Arendt, Tolstói. Eu até me envergonho de citá-los.Me envergonho de dizer que nunca assisti a um Big Brother Brasil.
Para ler tais livros, é preciso tempo.Tempo para assimilar o que jaz na tecitura de cada texto, o que intenciona o autor com aquelas palavras e cenas imaginárias.
Tempos de um mundo que hoje, em parte, é virtual.Pessoas que se relacionam sem nunca terem se visto e adquirem uma intimidade via internet tão rápida, tão volátil e ao mesmo tempo, tão intensa.
Tempos de busca de uma medicina que cura dos males da alma.Cápsulas e comprimidos que extirpem o mais rápido possível a tristeza, a angústia, a dúvida, o medo, muitas vezes confundidos com depressão e síndrome do pânico.
Confesso que às vezes me sinto uma velha num corpo jovem.Meus melhores amigos tem, a maioria, o dobro da minha idade.Eu sou uma contemporânea que vive num outro tempo simultâneo a este.Acreditem, é um desafio diário.Mas não tenho tempo de pensar nisso.Por isso adotei a filosofia do “uma coisa de cada vez”.Pode não ser a mais eficiente para os tempos atuais, mas é o que funciona para mim.
Monica Dib
Respeitem os direitos autorais deste texto.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
ACHAVAM QUE A GENTE NÃO SABIA ?!?!
Para colocarem "panos quentes" punem dois oficiais.O famoso "tapar o sol com a peneira".
Israel pune oficiais por uso de fósforo branco durante ofensiva em Gaza.
DOR HUMANA: ENTRE A AREIA E A PÉROLA
Havia num fundo do mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, linda canção, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão..." Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, ela tinha que envolvê-lo, cobri-lo com algo liso. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.
As pérolas surgem depois de uma situação de muito desconforto, de dor, de inquietação.
Autor desconhecido
Pensem nisso como uma grande metáfora: o que fazemos com as nossas dores físicas e psíquicas: fazemos pérolas ou cultivamos os grãos de areia, acomodados, amargurados, culpando o mundo e as pessoas pela nossa dor? O Cristo, quando em forma de homem, foi coroado por uma coroa - de espinhos.A dor pode ser um aviso de algo está fora do lugar,de que estamos indo pelo caminho errado.É preciso entrar dentro de sua concha e refletir sobre o porquê da dor, sem querer se vitimizar.Senão vai continuar grão de areia.
Anjo Negro
"Tudo o que sei é que nada sei": a humildade do sábio
Sobre sua sentença de morte, diz Sócrates: "Morrer é uma destas duas coisas: ou o morto é igual a nada, e não sente nenhuma sensação de coisa nenhuma; ou, então, como se costuma dizer, trata-se duma mudança, uma emigração da alma, do lugar deste mundo para outro lugar. Se não há nenhuma sensação, se é como um sono em que o adormecido nada vê nem sonha, que maravilhosa vantagem seria a morte!" (Sócrates) Defesa de Sócrates, Platão.
"Se imaginais que, matando homens, evitareis que alguém vos repreenda a má vida, estais enganados; essa não é uma forma de libertação, nem é inteiramente eficaz, nem honrosa; esta outra, sim, é a mais honrosa e mais fácil: em vez de tapar a boca dos outros, preparar-se para ser o melhor possível. Comeste vaticínio, despeço-me de vós que me condenastes." (Sócrates) Defesa de Sócrates, Platão
Sócrates, Coleção OS PENSADORES, Editora Nova Cultural
domingo, 31 de janeiro de 2010
O SEQUESTRO DA SUBJETIVIDADE
FLORBELA ESPANCA : POETISA DE AMOR E DOR
Biografia
Mesmo antes de seu nascimento, a vida da portuguesa Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Em Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois
Teve dois outros casamentos Em 1921, com Antônio Guimarães e em 1925 com Mário Lage Após a morte trágica de seu irmão, Florbela , que sempre teve traços melancólicos, tenta suicídio.Não obteve êxito.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”

PEDIDO
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A velocidade da tecnologia versus a lerdeza da autenticidade do ser humano
Monica Dib (Anjo Negro)
Chefe da Justiça de Israel é atingida por sapatada em tribunal
NÃO É SÓ IRAQUIANO QUE JOGA SAPATOS EM AUTORIDADES...
Objeto atingiu juíza Dorit Beinisch entre os olhos, mas ela passa bem.A chefe do Tribunal Superior de Justiça de Israel foi atingida no rosto nesta quarta-feira (27) por um sapato lançado por um espectador no tribunal, disseram testemunhas do ataque.
Incidente ocorreu em audiência sobre o uso médico da maconha.
"No meio do processo judicial, vimos um sapato voar do público. Ele atingiu a juíza, Dorit Beinisch, bem entre os olhos. Ela caiu no chão", disse o advogado Tal Ron na Rádio Israel.
Repórteres que estavam presentes no local disseram que dois sapatos foram lançados contra Beinisch, mas o segundo errou o alvo. O marido de Beinisch disse que a juíza levou um "tremendo golpe" que a derrubou da cadeira.
Mas ele disse à rádio: "Ela está se sentindo melhor e acredita que poderá retornar para continuar o processo".
O incidente ocorreu durante uma audiência sobre o uso médico da maconha. A rádio informou que o agressor era um homem de 52 anos com uma queixa sobre um outro caso.
Fonte: Reuters, em Jerusalém
PARA OS QUE "TRABALHAM" SÓ PENSANDO EM APOSENTADORIA
DEPRESSÃO PÓS-APOSENTADORIA
Há pessoas que trabalham contrariadas pensando na aposentadoria como uma época melhor e mais dourada.
Isto, em parte, tem a ver com a sociedade, que funciona demais por promessas para o futuro, e nos iludem.
O que se vê, muitas vezes é que passada – como a chamo- a lua de mel com a aposentadoria, começam a aparecer sinais de cansaço, com o término dos compromissos e da rotina diária.
Primeiramente, principalmente em homens, acontece o luto da perda de sua identidade funcional: ele não é mais o gerente de tal empresa, o advogado x, o corretor que mais vende em sua cidade... junto a isto, também vem a perda de seu status financeiro, depois tem a família e os amigos, que não ( o consultam mais), porque ele já está afastado, e uma apatia e uma solidão vão se instalando aos poucos.
É o luto de sua identidade com uma pessoa de valor. Começa a sentir pena de si mesmo, vergonha pela situação de aposentado, muitos quando saem de casa, se sentem constrangidos de usar bermudas e camisetas, por exemplo.
Junto com a perda deste eu, há perda de sua libido, (o homem, as vezes, desiste de tudo de uma só vez), os questionamentos quanto a sua aparência física, a saúde debilitada; enfim, as perdas que o tempo inexoravelmente trás.
O aposentado começa a sentir desvinculado, solto no mundo, e se vê deprimido. Por outro lado, os filhos já deixaram a casa, os amigos dispersaram e ele tem mais para pensamentos negativos e para avaliar suas frustrações atuais e passadas.
É recomendável a reconexão com outros projetos. Quem sabe a ocupação maior consigo mesmo, leituras, novos amigos, uma Academia, caminhadas, passeios a serem programados, jardinagem, etc...
É bom que a pessoa pense nisto tudo! O importante é estar bem, e não se preocupar com quaisquer julgamentos, as vezes até fictícios.
A vida é, no fundo, uma construção nossa.
Autor: Kemp
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
França quer proibir uso de burca e niqab e multar usuárias
A proposta prevê uma multa de 750 euros (R$ 1,8 mil) para qualquer pessoa que mantenha o rosto “completamente coberto” em espaços públicos.
“Se não agirmos rápido, o risco é que um dia, em um, dois ou três anos, a burca se torne um fenômeno de moda. A última tendência de elegância”, afirmou Copé, presidente do partido governista União para um Movimento Popular (UMP) no Parlamento.
Além da proibição do uso da vestimenta, o texto prevê uma sanção para quem “obrigar uma mulher a usar o véu integral”.
De acordo com Copé, a criação da lei para proibição da burca ocorre por “razões de segurança pública”.
Daniela Fernandes De Paris para a BBC Brasil
Comissão na França quer proibição de véu islâmico em setor público
Deputados franceses divulgaram nesta terça-feira um relatório que defende a criação de uma lei para proibir o uso do véu integral na França por mulheres muçulmanas em locais onde são prestados serviços públicos, como administrações, hospitais, escolas e transportes.
A proposta é o resultado final dos trabalhos de uma Comissão Parlamentar que analisou durante seis meses o uso do niqab (vestimenta que deixa apenas os olhos expostos) e da burca (roupa usada por mulheres afegãs, que cobre todo o rosto e corpo).
"Esse dispositivo obrigaria as pessoas a mostrar seu rosto na entrada do serviço público e também mantê-lo descoberto durante toda a permanência no local", diz o relatório da Comissão Parlamentar.
Segundo os deputados, a violação dessas regras não implicaria ações de ordem penal, mas teria como consequência "a não prestação do serviço solicitado".
A imprensa francesa estima que a proposta da Comissão Parlamentar de proibir o véu integral apenas nos locais dos serviços públicos e não nas ruas em geral, como defendem alguns deputados e até membros do governo, foi uma saída encontrada para evitar obstáculos jurídicos que impediriam sua aprovação.
Os deputados da comissão avaliaram que a proibição geral de cobrir o rosto em público poderia ser vetada pelo Conselho Constitucional da França ou mesmo pela Corte Europeia de Direitos Humanos.
O relatório será entregue ao Presidente do Parlamento francês e ao presidente Nicolas Sarkozy - que tinha pedido a criação da comissão parlamentar.
Regras de conduta
"A liberdade de se vestir, inclusive de acordo com convicções religiosas, é um elemento da liberdade, garantida pela Declaração de Direitos do Homem de 1789", disse o professor de Direito Dominique Chagnollaud ao jornal Le Parisien.
O relator da comissão parlamentar, Éric Raoult, estima que o risco de veto da proibição do véu integral apenas nos serviços públicos é menor porque nesse caso regras específicas de conduta podem ser exigidas.
Além disso, a criação de uma lei que proibiria o uso geral do véu integral divide a classe política francesa.
Nos últimos meses, o debate sobre a lei tem causado grande polêmica no país.
O Partido Socialista anunciou que se opõe à lei.
Uma pesquisa do Instituto Ipsos divulgada recentemente revela que 57% dos franceses são favoráveis à criação de uma lei para proibir o uso do niqab e da burqa na França.
Os deputados da Comissão Parlamentar sobre o véu integral ouviram durante meses associações femininas, representantes religiosos, especialistas em islamismo e várias outros representantes da sociedade civil.
Fonte: BBC Brasil
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Ressugindo da dor e do Amor
Estou postando este vídeo em lágrimas.Lágrimas de alegria e dor.
Clique "pause" no Ipod ao lado para assistir ao vídeo.
QUEM SOMOS NÓS, AFINAL ?
Lya Luft
IMAGENS: FELINOS

sábado, 23 de janeiro de 2010
VEJAM ESTE BLOG: MARAVILHOSO!
RESPEITANDO O DIREITO DE ENVELHECER
Clique "pause" no Ipod para ouvir este sublime alerta.
Esse vídeo eu dedico a minha avó...enquanto Deus me permitir estar com ela.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
A importância do "NÃO" na vida do ser humano
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
SUICÍDIO PARTE 1
O suicídio é um risco sempre presente junto aos pacientes com transtornos psiquiátricos e seu risco de ocorrência tem sido bastante elevado. Estima-se uma incidência anual de suicídio, entre 10 e 20 a cada 100.000 indivíduos, na população geral mundial. O suicídio geralmente está associado a transtornos psiquiátricos ou ao abuso de drogas, e pode ser observado entre 10% a 25% das mortes de pessoas com depressão maior de forma semelhante em uni e em bipolares.
Apesar desses números relacionando suicídio-depressão, estudos recentes indicam que o diagnóstico dos transtornos do humor ocorre em apenas um quarto dos casos de suicídio e somente uma fração destes recebem tratamento médico adequado.
O médico, psiquiatra ou não, defronta-se freqüentemente com um dilema: como dialogar com pacientes suicidas? Ao contrário do constante no senso comum, pessoas que tentam se matar comunicam esta intenção e, geralmente, fazem a um médico.
De 60% a 75% dos pacientes que cometeram suicídio procuraram um médico um a seis meses antes de se auto-aniquilarem.
A idéia de que "quem fala não faz" não é verdadeira no que diz respeito às tentativas de suicídio. Outra mitologia acerca do suicídio diz respeito a que não se deva valorizar as tentativas que pareçam ter sido feitas apenas para atrair a atenção do universo sócio-familiar; por serem potencialmente não-fatais não devem ser desprezadas e devem ser interpretadas como um pedido de ajuda que necessita de atenção e entendimento. Tantas vezes se tenta que um dia pode ser bem sucedido.
A prevenção é o melhor tratamento para o suicídio, indubitavelmente. É importante ressaltar que um substancial número de pacientes que tentaram um ato suicida procuraram um médico alguns dias antes aumentam o risco de suicídio:
• pacientes com personalidade impulsiva
• história de migração
• ausência de convicção religiosa (católicos suicidam-se menos pelo perfil punitivo da sua ideologia, bem como a crença num destino controlado por um Deus onipotente e responsável pelos sucessos e frustrações da sua vida).
• sentimento persistente de desesperança e pessimismo
• perda de status sócio-econômico: fracasso profissional ou falência financeira.
• acidentes que causem incapacidade física (p.ex paraplegia) ou impotência sexual.
• acidentes que causem desfigurações, principalmente em mulheres.
• ambivalência
• fator desencadeante/estressante persistente
• transtornos de personalidade (histriônico, borderline etc.)
• transtorno bipolar: pode-se pensar no risco aumentado apenas na fase depressiva, mas o perfil impulsivo da fase maníaca traz cuidados particulares.
• doenças do SNC como epilepsia, demência, AIDS etc.
MANEJO DO PACIENTE QUE TENTOU SUICÍDIO
A primeira parte do atendimento de um paciente que tentou suicídio deve ser centrado sobre o manejo das complicações médicas decorrentes tais como cortes, fraturas e intoxicações.
No caso de ingesta de medicamentos o nível de consciência é o primeiro aspecto a ser avaliado. A seguir devemos buscar informações acerca do tipo, quantidade, tempo decorrido e velocidade de consumo da medicação, bem como associações com outras drogas, álcool etc. Caso o paciente esteja em coma um diálogo com acompanhantes ou familiares é de fundamental importância. Recursos para diminuir a absorção devem ser tentados como indução de vômitos ou lavagem gástrica. O uso de substâncias antagonistas pode ser útil como é o caso do flumazenil nos casos de intoxicação por benzodiazepínicos
Obviamente, devem ser tomadas as medidas cirúrgicas necessárias nos casos de suicídio associado a trauma (suturas, imobilizações gessadas ou, se necessário, até cirurgia reparadora).
A segunda parte do manejo do paciente suicida é a avaliação do risco de uma nova tentativa. O médico deve levar sempre em consideração os itens discutidos acima no que se refere aos fatores de risco. Porém, muitas vezes, esta tarefa torna-se difícil por diversos fatores como:
1. a seriedade do que está em questão: a vida ou a morte do paciente.
2. porque o médico precisa definir não só um diagnóstico, mas também um prognóstico, cujas dificuldades são muito maiores.
3. o médico, geralmente, vê o paciente na emergência, não o conhece previamente e o risco de suicídio pode ser o motivo da procura do atendimento.
4. porque a decisão de internação pode significar a sobrevivência do paciente.
Essa avaliação de risco deve ser feita através de uma entrevista psiquiátrica detalhada a ser realizada logo após a equipe de emergência ter sanado as complicações médicas pós-tentativa e o paciente apresentar condições de conversar com o médico. Na entrevista o paciente deve ser questionado direta e francamente se ainda tem vontade de acabar com a própria vida, se tudo está tão ruim a ponto de acabar com tudo, se ele tem planos feitos ou se o paciente conseguiria controlar-se. Muitas vezes o desabafo do paciente é o suficiente para tirá-lo de sua situação de angústia e sofrimento pessoal.
A terceira parte, e mais delicada, é a decisão de internar o paciente ou não. A internação inadequada pode trazer apenas prejuízos para o sistema e para o paciente, do mesmo modo que a não internação pode significar uma nova tentativa. Para evitar erros o médico deve seguir rigorosamente alguns critérios:
• paciente está psicótico, com a presença de delírios, idéia de comando ou alucinações.
• quando existe algum fator que interfere com o nível de consciência, impossibilitando a avaliação na emergência (p.ex intoxicação).
• quando não existe modificação na ideação suicida, após intervenção junto ao paciente e a família.
• pouco ou nenhum suporte familiar.
• tentativas freqüentes ou em escalada.
• quando o médico ainda tiver dúvidas.
Desde que as indicações acima sejam descartadas, pode-se partir para um acordo envolvendo o médico, paciente e familiares, numa espécie de "pacto anti-suicida" , que também deve respeitar alguns princípios:
• o paciente sente que os impulsos estão sob controle.
• refere poder comunicar quando sentir uma piora do quadro de ideação suicida.
• se dispõe a realizar consultas freqüentes.
• o médico dispõe-se a atendê-lo em qualquer momento numa linha de contato direto.
• reduzir fatores estressantes ou que desencadearam a tentativa.
• garantir apoio incondicional dos familiares e amigos.
• construir um apoio realista no qual o paciente possa reconhecer um motivo legítimo para o suicídio.
• oferecer alternativas para o suicídio.
• manter o paciente sob vigia e longe de armas, medicamentos, cordas, mangueiras de chuveiro, janelas ou qualquer outro objeto que possa predispor o paciente a um novo ato.
• não deixar o paciente tomar decisões importantes. O paciente está desequilibrado e uma decisão mal tomada pode ser motivo de uma nova tentativa de suicídio.
• evitar comentários que transformem o ato em algo como "fraqueza pessoal", "covardia" e outros.
É importante ressaltar que a não internação representa um tratamento menos traumático para o paciente perante os familiares, a sociedade assim como para ele próprio, aumentando consideravelmente sua esperança em recuperar-se.
Outro aspecto de crucial valor é a recuperação do paciente após um estado de depressão. Pacientes apresentam aumento do risco de auto-aniquilação quando aparentam melhora da sua condição clínica; isto é, quando o retardo psicomotor já começou a responder ao tratamento, mas o núcleo de depressão vital (humor e pensamento) ainda domina o psiquismo do paciente. Este fato tem confundido erroneamente a observação de que anti-depressivos podem induzir ao suicídio. Portanto, o início da recuperação de um paciente depressivo que apresenta fatores de risco importantes para uma nova tentativa é um período que requer cuidados dobrados.
Fonte: Organização Mundial de Saúde
Kaplan &Sadock: Manual de Psiquiatria
Psiquiweb
RESPEITEM AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E OS DIREITOS AUTORAIS.
SUICIDIO PARTE 2
FATORES DE RISCO PARA SUICÍCIO:
Transtornos mentais
(em participação decrescente nos casos de suicídio)
transtornos do humor (ex.: depressão)
transtornos mentais e de comportamento decorrentes do
uso de substâncias psicoativas (ex.: alcoolismo);
transtornos de personalidade (principalmente borderline,
narcisista e anti-social);
esquizofrenia;
transtornos de ansiedade;
comorbidade potencializa riscos (ex.: alcoolismo +
depressão).
Sociodemográficos
sexo masculino;
faixas etárias entre 15 e 35 anos e acima de 75 anos;
estratos econômicos extremos;
residentes em áreas urbanas;
desempregados (principalmente perda recente do
emprego);
aposentados;
isolamento social;
solteiros ou separados;
migrantes.
Psicológicos
perdas recentes;
perdas de figuras parentais na infância;
dinâmica familiar conturbada;
datas importantes;
reações de aniversário;
personalidade com traços significativos de impulsividade,
agressividade, humor lábil;
Condições clínicas incapacitantes
doenças orgânicas incapacitantes;
dor crônica;
lesões desfigurantes perenes;
epilepsia;
trauma medular;
neoplasias malignas;
Aids
• história de tentativa de suicídio;
• transtorno mental.
Existem três características próprias do estado em que se encontra
a maioria das pessoas sob risco de suicídio:
1. Ambivalência: é atitude interna característica das pessoas
que pensam em ou que tentam o suicídio. Quase
sempre querem ao mesmo tempo alcançar a morte, mas
também viver. O predomínio do desejo de vida sobre o
desejo de morte é o fator que possibilita a prevenção do
suicídio. Muitas pessoas em risco de suicídio estão com
problemas em suas vidas e ficam nesta luta interna entre
os desejos de viver e de acabar com a dor psíquica. Se
for dado apoio emocional e o desejo de viver aumentar, o
risco de suicídio diminuirá.
2. I mpulsividade: o suicídio pode ser também um ato
impulsivo. Como qualquer outro impulso, o impulso de
cometer suicídio pode ser transitório e durar alguns minutos
ou horas. Normalmente, é desencadeado por eventos
negativos do dia-a-dia. Acalmando tal crise e ganhando
tempo, o profissional da saúde pode ajudar a diminuir o
risco suicida.
3. Rigidez/constrição: o estado cognitivo de quem apresenta
comportamento suicida é, geralmente, de constrição.
A consciência da pessoa passa a funcionar de forma
dicotômica: tudo ou nada. Os pensamentos, os sentimentos
e as ações estão constritos, quer dizer, constantemente
pensam sobre suicídio como única solução e não
são capazes de perceber outras maneiras de sair do problema.
Pensam de forma rígida e drástica: “O único caminho
é a morte”; “Não há mais nada o que fazer”; “A única
coisa que poderia fazer era me matar”. Análoga a esta
condição é a “visão em túnel”, que representa o estreitamento
das opções disponíveis de muitos indivíduos em
vias de se matar.
A maioria das pessoas com idéias de morte comunica seus pensamentos
e intenções suicidas. Elas, freqüentemente, dão sinais e
fazem comentários sobre “querer morrer”, “sentimento de não valer
pra nada”, e assim por diante. Todos esses pedidos de ajuda não
podem ser ignorados.
Fique atento às frases de alerta. Por trás delas estão os sentimentos
de pessoas que podem estar pensando em suicídio. São quatro os
sentimentos principais de quem pensa em se matar. Todos começam
com “D”: depressão, desesperança, desamparo e desespero (regra
dos 4D). Nestes casos, frases de alerta + 4D, é preciso investigar
cuidadosamente o risco de suicídio.
Fonte:Organização Mundial de Saúde
Kaplan &Sadock: Manual de Psiquiatria
Psiquiweb
RESPEITEM AS FONTES BIBLIOGRÁFICAS E OS DIREITOS AUTORAIS.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Um amor precisa espaço de voar, liberdade para querer ficar, alegria, e algum desassossego contra o tédio.
Lya Luft
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
OFENSAS QUE VIRAM DANO
Clique "pause" no Ipod ao lado para escutar o vídeo.
Este vídeo aborda o quanto vale a pena revidar ofensas e aceitar "o lixo mental" que o outro lhe impõe. É onde a ofensa vira um dano real.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O DOENTE MENTAL É VIOLENTO?
Ano passado um crime mexeu com a opinião dos campo-grandeneses: um procurador de Justiça matou o sobrinho a tiro. Preso, o advogado do assassino confesso conseguiu tirá-lo da cadeia e hoje ele cumpre pena num hospital porque sofre de doença mental, segundo atestou seus médicos. Já na semana passada, um advogado que atua há uma década como servidor federal foi detido duas vezes num só dia por tentar “agarrar, beijar e lamber” vendedoras de loja. E o motivo? Ele toma remédio controlado por enfrentar há pelo menos dois anos uma esquizofrenia tida como depressiva. Mas a doença ligada à mente tem a ver com violência, crime ou abuso? Para o médico psiquiatra Luis Salvador de Miranda Sá Júnior, 71, um dos renomados de Campo Grande, não. “Em tese, um doente psicótico pode representar uma ameaça, contudo, muito raramente é uma ameaça grave”, diz o médico, um dos fundadores do hospital psiquiátricos da Santa Casa, em 1966, o mais importante de Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao Midiamax, na sexta-feira, doutor Salvador, como é mais conhecido, sem se aprofundar no caso do procurador ou do advogado, expôs sua ideia sobre a política de saúde que cuida de “pacientes psicóticos” que, segundo ele, é esquecida pelos governos. A entrevista.
Midiamax – Doutor, pacientes perturbados com doenças mentais geralmente são violentos?
Salvador – Os psicóticos não têm controle sobre o seu comportamento, pois não se dão conta do que se passa ao redor dele. Um doente psicótico pode achar que uma pessoa corrupta passando por ele representa uma ameaça. Eu não vou falar sobre o caso do advogado [o que tentou beijar a força as vendedoras], pois não vi, e se tivesse visto também não falaria pelo sigilo profissional. Em tese, um doente psicótico pode representar uma ameaça, muito raramente é uma ameaça grave. Recentemente uma psiquiatra foi agredida no posto de saúde porque demorou em atender a paciente, como se o médico fosse o responsável pela demora do atendimento. Todos nós sabemos que os postos de saúde nessa época estão cheios, pois é época de férias.
Midiamax – Mas o que pode ter acontecido com o advogado que foi em diversas lojas, no shopping, por exemplo, e tentou insistentemente em agarrar as vendedoras?
Salvador – No caso desse advogado, ele quis seduzir as moças a todo custo, então ele podia achar que todas as mulheres estavam apaixonadas por ele e que bastava ele dar confiança a uma mulher que ela vinha correndo para ele.
Midiamax – Mas por que razão tem a ver com a esquizofrenia?
Salvador – O que gera isso é, em primeiro lugar, uma falta de entendimento do que está acontecendo, ou, uma visão errada de si mesmo, um delírio autoscópico, [geralmente uma alucinação visual na qual o indivíduo enxerga a si mesmo, vê o seu corpo como se estivesse fora dele, contemplando-o]. É relativamente rara e ocorre na esquizofrenia e na epilepsia, digamos assim. Mas ele [paciente] pode ter uma ideia errada do outro também. Ele pode achar também que outra pessoa quer prejudicá-lo. Então eu digo para você que um doente psicótico pode representar um risco para a sociedade e só muito raramente esse risco é um risco grave.
Midiamax – O ataque às vendedoras, no entanto, é um sintoma da doença?
Salvador – Se ele fosse uma pessoa que desde jovem vivesse atacando as mulheres eu ia dizer que esse é um comportamento dele, agora, um sujeito que tem uma conduta respeitável, correta, de acordo com as normas da sociedade e de repente ele começa a fazer isso, você tem que suspeitar que alguma coisa está errada. [no caso, familiares do advogado disseram que o episódio vivido na semana foi o primeiro]
Midiamax – Qual é o sintoma da esquizofrenia?
Salvador – A esquizofrenia é uma doença mental grave que produz uma grave perturbação na capacidade de entender o que se passa ao redor dele e de se comportar de acordo com esse entendimento.
Midamax – O senhor poderia dar um exemplo de um paciente que surpreendeu a família ao apresentar o sintoma da doença?
Salvador – Tem um caso que eu me lembro de uma senhora que reclamou do comportamento do marido. Ela disse que o marido estava gravemente doente, pois um dia ela chegou a casa e o marido estava sentado na cadeira da cozinha conversando com a empregada. Aí o médico perguntou a mulher o que tinha demais naquilo, e a senhora disse que o marido estava sem paletó. “Sou casada com o meu marido há 20 anos e nunca o vi sem paletó fora do quarto e ele nunca dirigiu a palavra à empregada”. E realmente esse homem estava com um tumor frontal do tamanho de um limão. Aquela situação chamou a atenção da mulher dele e que só podia ter alguma coisa de errado.
Midiamax – Retomando o caso do advogado, ele pode apresentar reações violentas?
Salvador – Um paciente com os mesmos sintomas desse advogado não tem fúria nenhuma, tem um comportamento até amoroso, não é um comportamento furioso. Quando o comportamento é excessivamente destrutivo e o paciente não tem nenhum controle sobre ele, nós chamamos de furor na psiquiatria. E esse tipo de comportamento é muito raro. Eu talvez tenha visto uma dúzia de casos nos meus mais de 50 anos de profissão.
Midiamax – E como conter um ‘paciente furioso’?
Salvador – Pessoas com comportamentos assim devem ser contidos com meios possíveis. Nós temos em Mato Grosso do Sul uma das melhores equipes do Brasil em contenção no efetivo do Corpo de Bombeiros. Os policiais têm mais habilidade para lidar com bandido do que com doente. O Corpo de Bombeiro de nossa cidade é de uma rara capacidade para cuidar desses casos. A energia da contenção tem que ser um pouco maior do que a da agressão.
Midiamax – Geralmente o paciente é levado para o hospital, é exigido um cuidado médico especial?
Salvador – O grande problema é que muitos casos necessitam de hospitalização e o governo brasileiro resolveu que os doentes mentais não representam perigo e que não têm necessidade de hospitalização e reduzem os leitos. A população aumenta e os leitos continuam na mesma quantidade. Um doente perigoso tem que ser hospitalizado. Mas a esquizofrenia ou a doença mental não tem como sinônimo a violência, que fique claro isso. Tanto que em qualquer categoria social, se você levar em conta a proporcionalidade eu posso lhe dizer que há mais homicídios praticados por jornalistas, médicos e advogados do que por doente mental. Sem falar na polícia, é claro. Uma pessoa que não tem perturbação mental não é necessariamente uma pessoa violenta. Tem uma frase francesa que diz: “Na medicina e no amor não existe o sempre e nem o nunca”
Midiamax – Aqui em MS existem hospitais suficientes para cuidar de doenças mentais?
Salvador – Por enquanto nós estamos conseguindo manter a demanda de Campo Grande. Estamos conseguindo manter essa demanda por dois motivos: primeiro porque nós temos o sistema ambulatorial e a gestão intermediária entre a casa e o hospital que funciona razoavelmente bem acessível. O ambulatório da Santa Casa atende duas mil consultas por mês. Temos uma política de manter o doente internado pelo menor tempo possível.
Midiamax – Doença mental tem cura?
Salvador – O doente mental pode ter ou não cura, como qualquer outra. Em quase 100% dos casos, quando não cura, ela pode ser controlada. Tem doença mental de todo tipo: de consequência de envenenamento crônico, como acontece com essas pessoas que trabalham com defensivos agrícolas. Na região de Sidrolândia, Maracajú, Eldorado, é mais comum, tem muito caso desse tipo. Existem problemas mentais causados por problemas de nascimento, um parto mal conduzido, demorado, ou até mesmo uma cesariana feita às pressas. E também pode ser hereditária. A doença não é herdada, mas existe um componente que pode se desenvolver durante a vida.
Midiamax – Doutor, retomando a questão da violência, a prática da violência tem a ver com o caráter do paciente?
Salvador – A violência tem a ver com a índole e o caráter da pessoa.
Midiamax – Doutor, Adolf Hitler, acusado por exterminar milhões de judeus era um doente mental?
Salvador – Ele tinha sífilis cerebral [pacientes com idéias delirantes de grandeza, de riqueza, de poder, de força etc. (megalomania)] e tomava injeção de arsênico e era absolutamente cruel e completamente fanatizado e acreditava nas coisas mais absurdas e o grande problema é que ele queria convencer o mundo de que ele estava correto. Hoje a ciência já mostrou que quanto maior a mistura racial de uma pessoa, mais potencial ela tem. O que a ciência provou após Hitler é que as teses nazistas estavam completamente erradas. Hitler não foi considerado esquizofrênico, ele era psicopata.
Midiamax – Psicopata?
Salvador – Psicopata é uma pessoa que nasce com defeito de caráter que impede de amar qualquer coisa senão a si mesmo. Ele não é capaz de gostar de ninguém, só de si mesmo. Então para satisfazer uma pequena necessidade dele, ele é capaz de até matar. Em determinada situação você perde o controle do comportamento. Uma coisa que existe muito entre nós, é que nós somos uma cultura muito recentemente urbanizada.
Midiamax – Disse cultura urbanizada?
Salvador – Eu cheguei a Campo Grande em 1966 e Campo Grande tinha 90 mil habitantes. Em questão a violência, ao estresse nos dias atuais, a tendência é piorar. Há um completo desamor entre as pessoas. A nossa cultura imediatista de característica capitalista selvagem que nós vivemos, a tendência é piorar. Antigamente uma pessoa de reputação é quem tinha respeito, hoje em dia é quem tem dinheiro, não importa se foi adquirido honestamente. A corrupção é assim, ela se espalha como uma mancha de óleo. E não tem corrupção de um aspecto só na vida social. O sujeito que rouba acha que tem direito de matar. O sujeito que suborna se deixará subornar. É um ciclo vicioso e a tendência é piorar. Antigamente, se você parasse na estrada, abrisse o porta-malas, todo mundo parava para ajudar, hoje em dia as pessoas não param com medo de serem assaltadas. Estamos vivendo em um mundo em que a confiança e a amizade deixaram de existir.
Midiamax – No sistema prisional...
Salvador – O sistema prisional é como uma má universidade pra aperfeiçoar criminoso. A impressão que se tem é que são postos lá para se transformarem em criminosos. Em minha opinião o preso tem que trabalhar para pelo menos pagar pelo que ele gasta. Como é em São Paulo, quem não trabalha não come. Nem o nosso sistema educacional é capaz de assegurar isso para nossas crianças, imagina para o preso. Por exemplo: se você bate seu carro no poste você deve juntar dinheiro para comprar outro. Se o preso coloca fogo no colchão que ele dorme, no mesmo dia ele já tem outro novo.
Midiamax – É fácil distinguir um condenado, se ele é psicopata ou não?
Salvador – Hoje já existem recursos técnicos capazes de distinguir o preso psicopata do não psicopata. A preocupação da legislação no Brasil é fazer o preso sair o mais depressa da cadeia e não de reabilitação. Não importa que o sujeito tenha sido condenado a 30 anos de cadeia. Ninguém cumpre 30 anos de cadeia. Só dois países antes do Brasil que investem menos dinheiro com a saúde: Bolívia e Haiti.
Midiamax – Algumas correntes de autoridades que lidam com a saúde no sistema prisional acham que os governos deviam construir mais manicômios, o que acha?
Salvador – Não temos e nem devemos ter. A palavra manicômio vem do latim mani: doente mental; cômio: hospital. O que se chamava de manicômio antigamente era o que se deixava o doente encarcerado sem tratamento e isolado da sociedade, eu sou contra. Agora tem outra concepção que é o hospital especializado, onde ficam os doentes mentais condenados ou presos condenados. Esse eu também sou contra. Existe um manicômio credenciado no Brasil que consegue funcionar com decência do ponto de vista médico que fica em Alagoas. Para se ter um hospital psiquiátrico aberto é preciso ter de 3 a 4 psiquiatras para cada paciente.
Midiamax – Isso não tem por aqui?
Salvador – A Santa Casa está muito longe disso. O hospital da Santa Casa é o primeiro serviço fora do Hospital Universitário e o quinto do Brasil.
Midiamax – Como o senhor avaliaria a assistência psiquiátrica em MS?
Salvador – A assistência psiquiátrica como qualquer outro aspecto da assistência médica deve ser tratada com seriedade, nós temos muita sorte aqui em Mato Grosso do Sul, porque tanto pela prestação de serviço da prefeitura quanto pelo do Estado tem se esforçado para manter um nível de seriedade, mas a política Nacional de Saúde mental é uma mentira, é uma forma de enganar o povo. O doente drogado não deve ser misturado com o doente psicopata
Nota: Campo Grande é uma cidade localizada na região centro-este de Mato Grosso do Sul, Brasil.
Midiamax é um jornal eletrônico de Mato Grosso do Sul (MS): http://www.midiamax.com/
REMINISCÊNCIAS
Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração.
William Shakespeare
sábado, 16 de janeiro de 2010
Desabafo de uma realidade que persiste
O Big Brother Brasil (BBB) é um dos programas de maior sucesso da história da Televisão brasileira.Assustador.Numa constante exibição de corpos, máscaras e conflitos egóicos, é isso que o voyerismo humano se contenta em assistir.O que importa é exibir-se em nome da fama, do dinheiro ou qualquer outro motivo narcísico, ao invés de olhar para dentro de si mesmo e encontrar uma meta construtiva a atingir.
Uma pequena parte da opinião brasileira acredita que ajudar o Haiti da forma como os brasileiros estão fazendo é exagero. Realmente, somos um país pobre, melhor dizendo “em desenvolvimento”. Mas fazemos a nossa parte.Perguntem George Bush o que ele pensava dos outros países a não ser o seu mundinho de videogame beligerante, enviando milhares de soldados para o Iraque. Poderia ter feito coisa melhor. Mas não se pode esperar muito dos que não tem mais nada a fazer do que olharem para seus prórprios umbigos, numa politicagem agressiva, para não dizer perversa, com a ousadia em fazer o que fez “em nome da nação americana”. Perguntem aos soldados norte-americanos sobreviventes e seus parentes o que eles acham das "vitórias" conquistadas no Iraque.
Esse é o mundo em que vivemos.Talvez por isso, Cristo tenha dito : “muitos os chamados, poucos os escolhidos”. Não importa o credo ou a religião, mas o fato é que as pessoas estão surdas.
Monica Dib
Como lidar com imprevistos?
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Martha Medeiros
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Terremoto de 7 graus abala capital do Haiti e afeta base militar brasileira
Testemunhas em Porto Príncipe relatam várias mortes e queda de dezenas de edifícios, incluindo a sede da presidência.
PORTO PRÍNCIPE
O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu Porto Príncipe, capital do Haiti, ontem deixou diversas pessoas feridas, incluindo militares brasileiros. Até as 23 horas, não havia informações sobre mortos. Muitos prédios ruíram, entre eles, o Palácio Nacional (sede do governo), o principal hospital e os Hotéis Montana - onde mora o general brasileiro que comanda o braço militar da missão - e o Cristopher, utilizado como sede da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah).
O chefe de comunicação social do batalhão brasileiro da força de paz, Coronel de Exército Alan Sampaio Santos, disse ao Estado, por telefone, que a cidade estava às escuras e confirmou que havia um número ainda não determinado de pessoas sob ruínas de instalações da ONU. "Existem militares e civis nos escombros, particularmente nos prédios da missão. Não temos o número de baixas. Mandamos vários comboios para os locais de desmoronamento, mas o trabalho vai durar a noite inteira. O comandante da força estava no Brasil e está se deslocando para cá. Estamos tentando restaurar a telefonia celular e a internet.
Santos acrescentou que a circulação na área estava comprometida. "Atendemos muitos feridos, mas chegamos no nosso limite. O hospital argentino também chegou no limite. Esta noite, eu estive em Cité Soleil e é muito difícil avaliar os danos. A gente não tem como avaliar. Ruiu uma parte do Forte Nacional e o acesso é complicado. Existem pessoas soterradas, mas não sabemos quantas. Com certeza nós perderemos alguns militares e haitianos também", disse o porta-voz.
Até o começo da madruga de ontem no Brasil, não havia informações sobre cifra de mortos ou feridos, mas testemunhas falavam em "dezenas de vítimas". Um alerta de tsunami foi emitido para a região do Caribe, mas foi retirado horas depois. O tremor foi sentido com intensidade na República Dominicana - que divide com o Haiti a Ilha de Hispaniola, no Caribe - e em Cuba.
O abalo - que ocorreu às 16h50 locais (19h50 de Brasília) e foi seguido por duas fortes réplicas, cujas magnitudes superaram os 5,5 graus na escala Richter - teve seu epicentro no distrito de Carrefour, 22 quilômetros a oeste de Porto Príncipe.
Um jornalista do canal Haitipal disse por telefone à France Presse que o Palácio Nacional e os prédios dos Ministérios de Finanças, Trabalho, Comunicações e o Palácio de Justiça haviam desmoronado, assim como o Parlamento e a Catedral de Porto Príncipe. A ONU informou que sua representação no Haiti também foi destruída e havia numerosos funcionários desaparecidos.
Um repórter da agência Reuters, Joseph Guyler Delva, disse ter visto dezenas de mortos e feridos entre os escombros, que bloquearam várias ruas da capital. Segundo o repórter, pessoas em pânico tomaram as ruas, escavando desesperadamente entre as ruínas em busca de parentes soterrados em meio à escuridão que tomou conta da cidade. "As pessoas gritavam "Jesus, Jesus" e corriam em todas as direções", disse.

Em entrevista à CNN, o embaixador do Haiti nos EUA, Raymond Joseph, pediu ontem ajuda internacional e disse que os danos do tremor podem ter "proporções catastróficas". "A única coisa que posso fazer é rezar e confiar que o pior não aconteça", declarou, abalado. Ele acrescentou que o presidente René Préval e a primeira-dama estão a salvo. Vários países se comprometeram a enviar ajuda, entre eles EUA, França, Colômbia e Venezuela - que despachou um navio com suprimentos.
Foto acima:soldados brasileiros trabalham em frente à sede destruída da missão. (Foto: Eduardo Munoz/Reuters)
A IMPORTÂNCIA DA MISSÃO MINUSTAH
A Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti ou MINUSTAH (sigla derivada do francês: Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti), é uma missão de paz criada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 30 de abril de 2004 por meio da resolução 1542, para restaurar a ordem no Haiti, após um período de insurgência e a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide.
1. Estabilizar o país.
2. Pacificar e desarmar grupos guerrilheiros e rebeldes.
3. Promover eleições livres e informadas.
4. Formar o desenvolvimento institucional e econômico do Haiti
Breve histórico do Haiti
O Haiti ocupa o terço oeste da Ilha Hispaniola - segunda maior ilha das Grandes Antilhas - no Mar do Caribe. A República Dominicana ocupa os outros dois terços dessa ilha. O País possui superfície de 27.750 km² e seus limites são: Oceano Atlântico ao Norte, República Dominicana a Leste, Mar do Caribe ao Sul e passagem de Sotavento a Oeste
Sua capital é Porto Príncipe e o francês e crioulo são os idiomas oficiais. O catolicismo constitui-se na religião oficial mas a influência africana é marcante em práticas místicas como o vodu. Predomina o clima tropical e a hora local é de menos 02 h em relação à Brasília. Seu relevo é montanhoso e a agricultura - base da economia - ocupa vales e planícies costeiras.
O Haiti foi o primeiro país de maioria negra a conquistar a libertação dos escravos, em 1794, e a independência, em 1804. Entretanto, é o país mais pobre da América Central.
Considerando que a situação no Haiti ainda constitui ameaça para a paz internacional e a segurança na região, o CS decidiu estabelecer a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), que assumiu a autoridade exercida pela MIF em 01 de junho de 2004. Para o comando do componente militar da MINUSTAH (Force Commander) foi designado o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Causa e efeito - Pe. Fábio de Melo
Para ouvir o vídeo, aperte "pause" no ipod virtual, na parte direita do blog, para que a música pare e você ouça esta mensagem importante.
ESCOLHAS E IMPOSIÇÕES
domingo, 10 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Viktor Emil Frankl: um exemplo de resiliência
Este artigo tem como finalidade, esclarecer o conceito de resiliência, tomando como exemplo a vida do psiquiatra e psicólogo austríaco criador da logoterapia. Viktor Frankl, não só sobreviveu ao campo de concentração, como também soube dar "sentido" ao seu sofrimento, transformando-se e crescendo com a dor. Neste sentido, podemos inferir que Viktor era um resiliente, de acordo com o real significado do conceito, visto que este expressa não só a superação das adversidades, mas a transformação do indivíduo e o seu crescimento diante das crises, transformando-as em desafios.
A Vida de Viktor Emil Frankl
Viktor nasceu na Áustria em 1905, filho de pais judeus. Desde cedo já demonstrava interesse pela questão do "sentido da vida", questão esta que mais tarde veio a se tornar o foco central do método psicoterápico que criou. Aos treze anos, já questionava o seu professor de ciência sobre o sentido da vida.
Aos quinze anos Viktor passou a se corresponder com Freud que respondeu estimulando-o a continuar escrevendo. No entanto, Frankl discordava do modo determinista com que Freud concebia o ser humano, como sendo dirigido por instintos e pulsões.
Resolveu então, pertencer a corrente dissidente formada por Adler, a quem posteriormente também veio a discordar.
Em 1930 concluiu o curso de medicina e passou a trabalhar com mulheres que haviam tentado suicídio, onde focou ainda mais a sua atenção para a questão do sentido da vida.
Em 1938, a Áustria foi invadida pelos nazistas.
Em 1942 casou-se, e no mesmo ano foi enviado juntamente com sua esposa e pais, para um campo de concentração, onde estes posteriormente vieram a falecer.
É justamente neste ponto que começa a grande desventura de Frankl, é e em meio ao sofrimento que ele, não somente descobre seus próprios recursos de sobrevivência e superação, como também a base teórica para o desenvolvimento da "terapia do sentido da vida".
Vivenciando o seu sofrimento e presenciando o sofrimento dos seus companheiros desenvolveu a logoterapia.
A sua vida é um exemplo de tudo aquilo que a sua teoria deseja expressar.
No campo de concentração, Frankl percebeu que o que o mantinha vivo era o significado que tentava atribuir a sua vida, isto é tentava ter esperança e objetivos, mesmo em meio a tantas adversidades.
Para Frankl, aquele que não tinha mais nenhuma meta, perdia o sentido de sua existência e assim todo e qualquer motivo para suportar o sofrimento. Um dos conceitos desenvolvidos por Frankl, em sua logoterapia, é o conceito de "otimismo trágico", isto é, mesmo em face as maiores adversidades deve-se encontrar esperanças e forças para lutar, deve-se retirar do caos o melhor que puder.
Segundo ele, quando o indivíduo, não pode mudar uma determinada situação, ou seja, quando ela é inevitável, ao enfrentá-la o indivíduo muda a si próprio.
Neste ponto, podemos traçar um paralelo com o conceito de resiliência, que pressupõe que haja uma adversidade e que o enfrentamento dela, com coragem e determinação, provoca uma mudança no sujeito, este saí transformado da adversidade, renascendo e se reconstruindo internamente.
Frankl observou que dentro do campo de concentração podia-se privar a pessoa de tudo, menos da liberdade de assumir uma atitude alternativa diante da situação em que se encontravam, de encarar a adversidade sobre outro prisma. Para se manter psicologicamente saudável era necessário se orientar para o futuro e se afastar da situação atual, traçando metas e acreditando na vida fora do campo. Com a busca de um objetivo, Frankl procurava a reconstrução do seu interior, para que não sucumbisse ao caos.
Na logoterapia existe o conceito de supra sentido, ou seja, aquilo que ultrapassa a compreensão do homem, como a fé ou a esperança no futuro, e é isto que gera forças para superar os problemas.
Fé e esperança também são características de pessoas resilientes. Frankl tentou demonstrar que por mais grave que seja uma doença física ou psicológica, ou por mais grave que seja a adversidade, o ser humano tem uma dimensão que não é atingida; a noética ou espiritual. "Quem tem um porque pode suportar qualquer como "(Nietzsche)"".
Podemos concluir que resiliência, é mais do que apenas sobreviver, e sim saber curar as feridas e seguir em frente.
Frankl dá este exemplo não somente sobrevivendo aos sofrimentos físicos e psicológicos que lhe foram impingidos no campo, como também através da postura que assumiu diante da vida após sua libertação.
Foi libertado somente no final da guerra em 1945, porém em 1946 retomou suas atividades como diretor de um hospital de Viena. Casou-se novamente, escreveu o livro "um psicólogo no campo de concentração", lecionou em várias universidades e ainda antes de falecer em 1997, aos noventa e dois anos, publicou sua autobiografia.
Diante disso podemos dizer que frankl, teve uma vida plena de sentido, soube atribuir significado a sua dor, tornando-se capaz de superá-la.
Frankl acreditava que é possível tirar proveito da tragédia e transforma-la não só em oportunidade de aprendizado, como também transforma-la futuramente em triunfo, para ele é possível que alguém possa se tornar resiliente. Se a vida de um homem possui um significado, este pode suportar quase tudo.
"Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens".
que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão.
Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser
tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua
atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho."
(Viktor Frankl)
Para elucidar estas questões iremos nos aprofundar um pouco mais no conceito de resiliência.
Origem do conceito de resiliência
A origem da palavra resiliência, vem do latim "resiliente "que significa voltar ao estado natural. Já o conceito de resiliência, advém da física, e significa a capacidade que um material possui de voltar ao seu estado normal depois de sofrer alta tensão.
Transposição do conceito para ciências humanas
A psicologia tomou o termo emprestado da física, porém dando uma amplitude maior ao conceito, em termos humanos este conceito, não é assim tão simplista, já que em oposição ao conceito oriundo da física, não pode ser visto como sinônimo de resistência, não significa voltar ao mesmo estado, e sim transformar-se, crescer mediante a capacidade de enfrentar situações consideradas estressantes. Para inferirmos que alguém possua a capacidade de resiliência, é necessário que não somente sobreviva as adversidades, mas que aprenda com o sofrimento, tomando este a seu favor como um fator para o desenvolvimento pessoal.
É fato que é em meio às crises que se criam as oportunidades. Podemos dizer que é justamente em meio às adversidades que o ser humano se recria, se reinventa e revela potencialidades até então desconhecidas.
Podemos dizer que uma pessoa resiliente encara as adversidades sobre outro prisma, como desafios, conseguindo retornar ao seu estado de saúde e espírito anterior a crise.
Diferença entre invulnerabilidade e resiliência
Segundo alguns autores, como Yunes, não se deve confundir resiliência com invulnerabilidade, o indivíduo é afetado sim, pela adversidade, podendo ficar com sua saúde física e psíquica ameaçada, no entanto além de conseguir superar, ainda saí fortalecido.
O resiliente se recupera do trauma sem se tornar vítima, é uma questão de flexibilidade interna que permite ao indivíduo interagir com sucesso, aprendendo e se adptando, como resultado dos confrontos adversos.
"Resiliência é a capacidade potencial de um ser humano sair ferido, porém fortalecido de uma experiência aniquiladora.").
Fatores de risco e proteção
A resiliência envolve dois fatores, os fatores de risco e os de proteção. Quando falamos em fatores de risco estamos nos referindo às adversidades que ocorrem na vida de todo o ser humano, são eles: morte de entes queridos, violência, desastres, desemprego, etc... Já os fatores de proteção, são aqueles que ajudam as pessoas no enfrentamento das adversidades, são eles; rede de apoio social, auto-estima, religião, e etc. A habilidade de resiliência é sempre resultante da interação entre os fatores de risco e proteção que o indivíduo possui.
Estudos têm demonstrado que certas qualidades podem contribuir para a capacidade de enfrentamento de um indivíduo frente às situações adversas, são elas: senso de humor, otimismo, auto-estima, assertividade, entre outras.
A resiliência é inata ou adquirida?
Podemos dizer que resiliência não é uma característica que nasce com o sujeito, mas sim, um processo dinâmico construído a partir da interação do sujeito com o meio. É uma interação entre os processos sociais, intrapsíquicos, os fatores de risco e proteção.
Talvez isso explique o fato de que embora possuam trajetórias de vida semelhantes, diferem no fato de que algumas pessoas superam as adversidades e outras sucumbem a elas.
A resiliência não é um traço pessoal, mas sim desenvolvimental oriundo da relação do indivíduo com o meio. Neste sentido, podemos dizer que é possível promover resiliência.
Características das pessoas resilientes
Resiliência não é sinônimo de adaptação, no sentido de conformismo, é preciso adaptar-se encarando a realidade, porém agindo de modo a tentar tirar proveito da situação aprendendo com ela. O indivíduo, ao invés de se paralisar perante a situação estressante, consegue superar e se transformar internamente, a própria adversidade conduz o indivíduo a situações criativas, é a crise gerando oportunidades.
Pesquisas têm demonstrado que indivíduos resilientes apresentam determinadas características, tais como: capacidade para ter projetos, bom humor, senso de auto-eficácia, autocontrole, auto-estima, pensamento crítico, criatividade, perseverança, entre outras.
O paradigma da resiliência
O conceito de resiliência tem contribuído, com o questionamento, acerca do determinismo que pressupõe, que todos os indivíduos expostos a situações de risco, invariavelmente desenvolvem transtornos psicológicos. Estudos têm demonstrado, que alguns indivíduos conseguem permanecer saudáveis em meio a tantas adversidades.
O problema não é a situação em si e sim como é encarada.
Pesquisas mais recentes tem demonstrado a importância da forma como o indivíduo interpreta uma determinada situação adversa. Essa interpretação pode até ser mais importante que o próprio fator de risco. O que pode ser encarado somente como problema para uns, pode ser visto também como desafio por outros.
Podemos dizer, que se faz necessário dar um significado as crises, um sentido ao sofrimento, para que se possa aprender com a experiência , mesmo a mais dolorosa.
Segundo Jacques Lecomte, para as pessoas que sofreram diversas adversidades, é imprescindível para a reconstrução interior dois elementos: elo e sentido. Segundo este autor, elo é o elemento humano, os membros da família, amigos e profissionais. E o sentido é essa busca de entendimento do que lhes ocorre.
Buscando entender o que lhes acontece, ou tentando transformar seu sofrimento em algo útil para si ou para os outros, é que o sujeito encontra um sentido para continuar vivendo. Podemos ver isto, nos casos de pais que ao perderem seus filhos vítimas de violência, criam ONGS para lutar e tentar ajudar outros familiares vítimas da mesma adversidade.
Uriel Broffenbrenner cita o conceito de resiliência, em uma de suas conferências, referindo-se à sobreviventes de campos de concentração que reconstruíram suas vidas, enquanto que outros não conseguiram superar o trauma.
É nesta questão de busca de sentido para a vida, como forma se superar as adversidades, que encontramos viktor Frankl, pois ele não foi só um sobrevivente, e sim um grande exemplo de resiliência.
Autora: Ana Lúcia Lima Carneiro
Depressão: quando a vida perde o sentido
O mal dos males atuais, a falta ou ausência total de vontade de realizar e as vezes, até de viver. A pessoa quando chega nesse estado terrível precisa antes de mais nada, criar o desejo de mudar, de melhorar-se e buscar ajuda de profissionais como um psicólogo ou outro profissional psicoterapeuta.
O ideal é não deixar a angústia, o mêdo e fobias em geral dominar a sua vida e levar até o estado depressivo.
Quem se valoriza, quem já descobriu o quanto é importante se amar, gostar de si mesmo primeiro para depois “encontrar alguém para amar”, nunca vai sofrer de depressão, porque a depressão é a total (ou quase total) ausência de amor-próprio.
Cuide de você diariamente, não transfira para ninguém o dever de te fazer feliz. Você é responsável e merecedor da sua felicidade.
violências nas prisões. 13ª ed. Petrópolis: Vozes, 1996, 280
Uma das melhores resenhas que já li sobre o livro de Michel Foucault.Transcrevo abaixo:
Um dos mais originais filósofos franceses do século XX, Michel Foucault pautou sua obra no exame das relações entre os modos de exercício de poder, a constituição de saberes e o estabelecimento da verdade. O corpo de sua obra procurou mostrar que todo conhecimento é contingente às formas de exercício de poder e que tal fato tem como elemento mediador instituições sociais, dispositivos que regulam as relações entre os modos de exercício de poder e a produção de saberes e verdades.
A análise de Foucault contempla diversos períodos da história, tangenciando-os com a forma de poder que lhes é característica e os saberes e instâncias de verdade resultantes de cada forma.
Na obra Vigiar e punir, Foucault se propõe investigar os contornos que o direito penal ganhou nos regimes absolutistas europeus, contrastando-os com o modo com os contornos que adquiriram nos regimes democráticos que se consolidaram na Europa a partir do final do século XVIII. Descrevendo o modo como os delitos penais foram (e são) assimilados historicamente, Foucault tensiona mostrar e contrastar duas formas de exercício de poder. Cada uma delas se mostra no modo de tratamento concedido ao criminoso.
Duas formas de poder são apresentadas à luz do direito penal: nos regimes absolutistas, é delineado um poder que se exercia e se reafirmava por meio do severo exercício da punição; no mundo emergente pós-revolução francesa, vemos a caracterização daquilo que Foucault chama de sociedade disciplinar, uma modalidade de poder que perduraria até nossos dias e que tem como viés em relação ao direito penal a preocupação com o vigiar e disciplinar.
No regime absolutista, encontramos um direito penal que, por oposição ao direito penal medieval, é exercido pela autoridade de um poder judiciário central, totalmente subordinado à figura do rei. Em tal direito, nasce a prerrogativa de todo ato ilícito, de todo delito ser um delito contra o poder centralizado. Todo delito praticado é, acima de tudo, ato ilícito que ousa afrontar o ilimitado poder real. Por isso, uma característica central desse período é a prerrogativa do suplício como forma de sublinhar o papel da punição como mecanismo de revitalização do poder.
Que é um suplício? Pena corporal dolorosa com requintes de atrocidade. Uma vez o inquérito efetivado pela autoridade real e a constatação da autoria de um delito, impõe-se ao réu um suplício cujo grau de atrocidade variará de acordo com o delito praticado. No caso do delito mais grave, o assassinato, o suplício terá as mais nítidas nuances de crueldade. O réu será torturado diariamente das mais variadas formas em praça pública por mais de duas semanas, até que, por fim, tenha os membros atados a quatro cavalos a fim de despedaçar seu corpo, ou outra forma cruel de realizar o cume do espetáculo. Sim, espetáculo! Foucault salienta que o suplício era antes de tudo um grande espetáculo, momento em que a autoridade do rei era restabelecida e fortalecida por uma aterrorizante demonstração de força. A punição tinha a finalidade de punir o crime e também reavivar nas mentes dos súditos o que ocorria com qualquer um que ousasse desafiar a lei, quer dizer, a vontade do soberano.
Apartir do século XVIII, filósofos e juristas começam a se manifestar contra o caráter desumano do suplício. Paulatinamente, surge a idéia de que toda e qualquer forma de punição poderia ser abrandada, não apenas em seu resultado final, mas também no sentido de criar mecanismos que proporcionassem garantias de que o menor número possível de delitos fosse praticado. Surge o que Foucault chama de sociedade disciplinar.
Ela nasce ao final do século XVIII e caracteriza-se como um modo de organizar o espaço, controlar o tempo e obter um registro ininterrupto do indivíduo e de sua conduta. Do ponto de vista do exercício do poder, essa sociedade se caracterizaria por implantar o que Foucault chama de “poder panóptico”. A tese foucaultiana articula o nascimento das ciências humanas como uma conseqüência da sociedade disciplinar.
Segundo Foucault, ao final do século XVIII e início do XIX se instaura na Europa o que podemos chamar de poder panóptico, derivado do Panapticon do jurista britâ-nico Jeremy Bentham. O Panapticon de Bentham é o modelo de um edifício arqui-tetônico em que idealmente se poderiam vigiar e controlar as ações de todos os delinqüentes. Com celas dispostas em torno de um círculo e ao centro uma torre elevada, seu desenho previa que o vigia colocado na torre central podia ver todos os movimentos daqueles trancafiados nas celas, sem que estes pudessem ver seu incontinente observador.
Foucault foi muito perspicaz ao notar que o modelo de seqüestro de delinqüen-tes proposto por Bentham engendrou aquilo que caracterizaria o mote da socieda-de contemporânea: a vigilância, o controle e a correção dos indivíduos. O poder panóptico se basearia na vigilância contínua de todos os indivíduos. Avigilância contínua é o meio que torna possível o pleno controle dos indivíduos. Ela representa um novo ponto de vista do poder, um poder que, em vez de punir um indivíduo que pratique qualquer ato ou infração, tem suas ações previstas, antevistas pelo siste-ma. A vigilância permite um controle dos atos e do grau de engajamento de cada indivíduo ao sistema de poder instaurado. Antevê e determina o que pode e o que não pode o indivíduo fazer. O controle, o monitoramento dos indivíduos torna possí-vel também a correção de suas tendências, reorientando-as na direção estipulada pelo poder panóptico.
Assim, esse poder se legitima por meio do surgimento e da proliferação de uma série de instituições que referendam o modelo do Panapticon. Diversas instituições arraigadas na modernidade seguem o modelo do Panapticon: a fábrica, a prisão, o hospital, a escola.
Essas instituições literalmente seqüestram os indivíduos. Afábrica, as cidades operárias, a escola, o hospital, o quartel, as casas de repouso e os orfanatos vigiam, disciplinam e ordenam a vida do grupo dos indivíduos que lhes são subordinados. O indivíduo é fixado dentro do sistema de produção, construindo sua visão de mundo dentro das normas e saberes constituídos. Opera-se uma inclusão por exclusão.
Segundo Foucault, o poder panóptico se efetiva mediante o cumprimento de algumas funções: o controle do tempo, o controle dos corpos e a instauração de uma polimorfia do poder que inclui um braço epistemológico. Nas instituições panópticas, o indivíduo é abstraído do tempo de sua vida. A escola insere-o muito novo numa rotina de aprendizados e tarefas a serem cumpridas.
O indivíduo, muito novo, é adestrado para participar nas diversas instâncias do sistema de produção. O tempo de sua vida infantil é moldado dentro das prerrogativas das atividades que ele deve realizar na escola e fora dela. Seu caráter é moldado por meio de um jogo de castigos e recompensas.
Posteriormente, quando ocorre a inserção do indivíduo no trabalho de fábrica, esta será uma extensão do que a escola previamente preparou. Seu tempo, definitivamente, não lhe pertencerá. O tempo de sua vida será propriedade da sociedade. Na linha de montagem da fábrica, ele cumprirá uma rigorosa rotina de horários, severamente vigiada, e igualmente recompensada ou punida. Seu escasso tempo fora da fábrica também é predeterminado. Assim é que, fora da fábrica, mais e mais os indivíduos procuram realizar cursos de aperfeiçoamento, requisito para manter o status de “seqüestrado”, além das
modalidades de lazer que mais e mais se tornam uma extensão do padrão econômico e panóptico da sociedade.
Vejamos o confisco do corpo.
Se os indivíduos seqüestrados não possuem o tempo de suas vidas, tampouco possuem seus corpos. No poder panóptico, o corpo do indivíduo é confiscado pela sociedade. Nas escolas e quartéis, ele será moldado de acordo com a função social que ocupará dentro do sistema de produção. Nos hospitais e prisões, a disciplina imposta ao corpo também será minuciosa.
O controle do tempo e do corpo instaura e é instaurado graças a uma polimorfia de poderes. Assim é que um poder econômico claramente se instaura com a insti-tuição das fábricas, e, atrelado a este, um poder político. Ambos os poderes se arti-culam a um poder judiciário que impõe normas, dá ordens e toma decisões. Segundo Foucault, é o sistema judiciário que dá o esqueleto do sistema escolar; afinal, a todo o momento se punem, se recompensam, se avaliam e se hierarquizam os indivíduos.
Por fim, o poder panóptico enseja o surgimento de uma episteme própria. Foucault atribui a seu exercício as circunstâncias que tornaram possível o surgimento das ciências humanas. Encontramos em todas as instituições discipli-nares ligadas ao poder panóptico a produção de um conjunto de saberes. Este se delineia em dois sentidos: ele se exerce a partir dos indivíduos e sobre os indivíduos. Quando se diz que esses saberes são produzidos a partir do indivíduo, é no sentido de as práticas e atividades dos indivíduos dentro de uma instituição serem o subs-trato necessário à elaboração de um saber sobre a própria produção do indivíduo. Esses saberes podem ser qualificados como atuando sobre os indivíduos na medida em que, graças ao seqüestro do indivíduo em instituições panópticas, é possível a elaboração de saberes diversos sobre o indivíduo, tais como a pedagogia, a psicolo-gia, a psiquiatria etc., saberes esses que o definem, qualificam e classificam.
Vemos, assim, que Foucault assume a premissa do conhecimento como uma grande invenção, ferramenta indispensável à legitimação de uma forma de poder, construída graças às diversas modalidades de práticas sociais. Nem o conhecimento nem tampouco a verdade são apregoados como destino natural do homem, referências a pairar no horizonte, espécie de mote de nosso caminhar. Não. O conhecimento seria apenas uma ferramenta do poder. Ele não nasceria de nossa amistosa, curiosa aproximação da realidade, mas seria, antes, produto de nossa ânsia de domínio. Conhecer é dominar, é ferramenta indispensável ao exercício e à manutenção de uma forma de poder.
Enquanto Marx crê que o saber é obstruído por modalidades de práticas sociais (por exemplo, a religião como meio de alienação), Foucault crê que são justamente nossas práticas sociais enquanto instrumento de determinada modalidade de poder que engendram o sujeito e também todo um conjunto de formas de conhecimento e de obtenção da verdade. Foucault apresenta diversas práticas sociais que determinariam a produção de diversos saberes e o estabelecimento de uma série de verdades. Também a essência do sujeito se delinearia com essas práticas.
Em Vigiar e punir, Foucault destaca o direito penal entre as práticas sociais que exerceriam esse papel de arquétipo. Nessa obra, o filósofo francês nos mostra em que medida o modo como uma sociedade pensa e trata determinada questão é sintoma de uma forma de exercício de poder que a direciona.
Vigiar e punir constitui-se numa excelente obra para refletirmos sobre a espinha dorsal da realidade que ora vivemos. Desse modo, vale conferir.
José Fernando da Silva
Professor das Faculdades Integradas IPEP.
Revista Técnica IPEP, São Paulo, SP, v. 6, n. 2,p. 97-101, ago./dez. 2006
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Mitos Atuais
Precisamos de heróis?
Qual a nossa escolha: nos responsabilizarmos por nossa singularidade ou nos tornarmos um "genérico" da sociedade de massas?
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
O Poder da Oração
Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num
armazém, se aproximou do proprietário conhecido pelo seu jeito grosseiro, e
lhe pediu fiado alguns mantimentos.
Ela explicou que o seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e
que tinha sete filhos para alimentar.
O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu
estabelecimento.
Pensando na necessidade da sua família ela implorou:
- "Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver...".
Ele lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.
Em pé no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os dois se
aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela
mulher necessitava para a sua família, por sua conta.
Então o comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:
- "Você tem uma lista de mantimentos?"
- "Sim", respondeu ela.
- "Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe
darei em mantimentos"!
A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou
da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente
na balança.
Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e
permaneceu embaixo.
Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se
lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:
- "Eu não posso acreditar!".
O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.
Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e
mais mantimentos até não caber mais nada.
O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança,
tentando entender o que havia acontecido...
Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado pois
não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia:
"Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando
isto em Suas mãos..."
O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo silêncio,
que agradeceu e deixou o armazém.
O freguês pagou a conta e disse:
- "Valeu cada centavo.."
Só Deus sabe o quanto pesa uma oração...
Quando você receber esta mensagem, faça uma oração, peça a Deus por seus
sofrimentos, por suas necessidades, pela falta de um emprego, por uma pessoa
especial doente, por alguma enfermidade, e se não tiver nada a pedir,
agradeça pelas bênçãos que recebemos todos os dias. É só isso o que você
deve fazer.
Não há mais nada anexado. Isto é poder! Então encaminhe esta mensagem para
algumas pessoas com as quais você se importe.
Se DEUS falou ao seu coração, abençoe alguém, enviando-lhe esta fantástica
lição!
Não existe impossível para DEUS!
ELE DIZ: - "EU SUPRIREI TODAS AS SUAS NECESSIDADES"
(Filipenses 4:19).
Jamais desista daquilo que você realmente quer.
A pessoa que tem grandes sonhos é mais forte
do que aquela que
possui todos os fatos"
Desconheço o autor
“Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.”
" Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'
" Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia."
CAIO FERNANDO DE ABREU
HIPOCRISIA
"São curtos os limites que separam a resignação da hipocrisia." ( Francisco de Quevedo )
"Os hipócritas são como as tâmaras: o doce está fora, o mel nas palavras e o duro lá dentro, na alma." (Mateo Alemán)
"É mais fácil separar a água do vinho que a hipocrisia da verdade no julgamento das ações humanas." ( Carlos Malheiro Dias )
"Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." - Mateus 7:5
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
ENCERRANDO CICLOS
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te :
“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”
FERNANDO PESSOA
domingo, 3 de janeiro de 2010
Facebook e Twitter serão alvo preferido de golpistas em 2010
Facebook e Twitter devem ser os novos alvos preferidos de golpistas em 2010. A previsão é da empresa de segurança McAfee. Criminosos devem optar por cavalos de Tróia e botnets (redes zumbis) mais complexos, além de aproveitarem as vantagens do HTML 5 para criar as ameaças emergentes.
Além das páginas de Facebook e Twitter, aplicativos de terceiros nesses sites estão mudando rapidamente a modalidade de ação dos cibercriminosos, já que possibilitam a eles o uso de novas tecnologias e novos pontos de acesso à Internet (hot spots) para desenvolverem suas atividades mal-intencionadas.
Os usuários tornam-se cada vez mais vulneráveis aos ataques a programas de aplicações não confiáveis que são distribuídos de modo ilegal através de redes. Os cibercriminosos aproveitam a confiança entre amigos e a falta de cautela dos usuários para atraí-los aos seus sites.
O uso de URLs abreviadas em sites como Twitter contribuem para que os cibercrimonosos camuflem ou disfarcem sites mal-intencionados e facilitam a condução dos usuários a estes. O McAfee Labs prevê que os cibercriminosos irão explorar cada vez mais estas condições para usar suas táticas em redes sociais mais populares de 2010.
A evolução da Web proporcionará aos cibercriminosos novas oportunidades para criarem malware.
O surgimento do sistema operacional Google Chrome e os avanços tecnológicos do HTML 5 continuarão modificando a atividade dos usuários, orientando-os cada vez mais a aplicações on-line em vez de aplicações em desktops, o que criará oportunidades para os desenvolvedores de malware atacarem os usuários.
O suporte antecipado à plataforma cruzada de HTML 5 também proporciona uma motivação adicional para os atacantes e permite a eles atingir os usuários dos navegadores mais utilizados.
Fonte: Blog Infosfera
Consumindo afetos e alugando laços emocionais
sábado, 2 de janeiro de 2010
Holocaustos no mundo: o conflito pela disputa da Caxemira
A região de Caxemira -localizada em meio às altas montanhas do Himalaia- tem sido objeto de disputa entre a Índia e o Paquistão (além da China, que se apoderou de parte do território em 62). A maioria da população é de origem paquistanesa e religião muçulmana. No entanto, o governo é da da Índia, onde a religião predominante (85%) é hinduísta.
Os conflitos pela região da Caxemira, ou a questão da Caxemira, se iniciaram no final da colonização britânica, em 1947 logo após a II Guerra, quando todo o subcontinente indiano que até então era dominado pela Inglaterra, foi dividido em dois países, a Índia e o Paquistão.
Índia e Paquistão são ex-colônias britânicas. Em 1947 conseguiram independência. Os ingleses repartiram a região de acordo com a religião das maiorias. Assim surgiu a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.
O controle sobre a região da Caxemira foi causa de duas das três guerras (1948-1949, 1965 e 1971) já travadas entre Índia e Paquistão desde 1947 -ano em que ambos os países se tornaram independentes do Reino Unido.
A região da Caxemira continua dividida entre a Índia e o Paquistão. Os dois países abrandaram a retórica dura recentemente, mas nenhuma das partes parece estar pronta para um acordo. Instabilidades político-econômicas no Paquistão poderiam facilmente deflagrar um conflito.
A Caxemira é uma região montanhosa ao norte dos dois países. Grande parte da população da região é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, que a Índia nega.
O Paquistão reivindica o controle total da Caxemira sob o argumento de que lá vive uma população de maioria islâmica - a mesma do país. Já a Índia tem uma população majoritariamente hindu.
Os enfrentamentos costumam se intensificar nos meses de verão. Nessa época, com o derretimento da neve em porções da cordilheira do Himalaia, os separatistas islâmicos têm mais facilidade para se infiltrar na Caxemira indiana, vindos de solo paquistanês.
Nas lutas entre os grupos que envolvem os dois Exércitos e guerrilheiros pró-Paquistão, desde 1989, mais de 40 mil pessoas já morreram. Segundo o governo indiano, esses grupos recebem o apoio financeiro do Paquistão, que diz apenas ampará-los politicamente.
A rivalidade levou a uma corrida armamentista que culminou com a entrada de Índia e Paquistão, em 1998, no clube dos países detentores de armas nucleares. Ambos desenvolveram ao máximo sua infra-estrutura militar. Desde então, as hostilidades na Caxemira passaram a ser acompanhadas com mais atenção pela comunidade internacional.
O aparecimento de uma linha de terrorismo islâmico, propiciado pelo Paquistão - segundo acusação do governo da Índia - conduziu ao "alarme vermelho" as tensões entre os dois países, em mais de uma oportunidade. Após os atos terroristas perpetrados em território estadunidense, em 11 de setembro, o governo paquistanês buscou dissociar-se do fundamentalismo islâmico, e ambos os países têm feito algum esforço no sentido de reaproximação. Entretanto, as ações terroristas no território indiano podem terminar desencadeando uma nova conflagração armada, e que, nas atuais circunstâncias, seguramente teria um caráter bélico-nuclear, de conseqüências imprevisíveis.
Fotos retiradas da web
Links:
http://www.sikhspectrum.com/082003/kashmir.htm
http://www.kashmir-information.com/history.html
http://www.kashmir-information.com/ConvertedKashmir/index.html
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
FRASES
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
OS DIVERSOS HOLOCAUSTOS NA HUMANIDADE:ONTEM E HOJE: PARTE I
“Holocausto” é uma palavra de origem grega que significa “sacrifício pelo fogo”. O significado moderno do Holocausto é o da perseguição e extermínio sistemático, apoiado pelo governo nazista, de cerca de seis milhões de judeus. Os nazistas, que chegaram ao poder na Alemanha em janeiro de 1933, acreditavam que os alemães eram “racialmente superiores” e que os judeus eram “inferiores”, sendo uma ameaça à auto-entitulada comunidade racial alemã.Mas não foi só contra os judeus: foram perseguidos os doentes mentais, mendigos, prostitutas e todos os considerados “inferiores”.
O que me preocupa é que o mundo personificou o holocausto como o único crime hediondo contra a humanidade.Decerto, foi um dos maiores.Mas não foi nem é o único.Observem:não estou desmerecendo o holocausto.Estou apontando para os diversos "holocaustos" que ainda acontecem e que passam incólumes aos olhos da humanidade
Estamos alheios a “holocaustos” que atingem populações mundiais que não tem força política nem econômica para lutar pelos seus direitos.Hoje, falarei sobre Ruanda.
Genocídio em Ruanda
Ruanda localiza-se no centro-leste da África, cuja capital se chama Kigali.População estimada em 7,7 milhões de habitantes.Expectativa de vida entre 39 a 42 anos. Mortalidade infantil: 124 por mil nascimentos e índice de analfabetismo em torno de 35%.
O genocídio em Ruanda, ocorrido há 15 anos, vitimou 800 mil pessoas.
Após o Holocausto, o terror de Pol Pot no Camboja e o genocídio turco contra os armênios, esse foi o mais grave crime contra a humanidade no século 20.
Naqueles dias, nada era mais importante para a comunidade internacional do que evitar o conceito de "genocídio". Afinal, nesse caso, ela teria tido o dever de ajudar e o direito internacional teria obrigado as Nações Unidas a intervir com rapidez.
A comunidade internacional teve responsabilidade pelo genocídio de 800 mil pessoas em Ruanda há 15 anos. O silêncio do Ocidente impulsionou ainda mais os genocidas. E foi o poderio colonial belga que abriu espaço para a propaganda racista e para a separação de raças em Ruanda, algo que o país desconhecia anteriormente.
O trauma do genocídio pesa até hoje sobre a sociedade ruandesa. A memória do que ocorreu em Ruanda deve servir de advertência clara para
a comunidade internacional: o fracasso humanitário e político de então não poderá se repetir. É preciso haver uma política de segurança multilateral mais decisiva, que obrigue o cumprimento do respeito aos direitos humanos.
Resumo do texto de Ute Schaeffer.
Para saber da história do massacre em Ruanda leia alguns resumos em:
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL928522-5602,00-ENTENDA+OS+FATOS+QUE+LEVARAM+AO+GENOCIDIO+EM+RUANDA.html
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Ignorância nos tempos atuais?
De onde vem nosso conhecimento atual? De livros, vivências, debates, estudos?
A globalização amplificou o conhecimento dos indivíduos que tem acesso mundo virtual?
Não. Nosso conhecimento deriva do famoso “copy and paste”, do que está escrito nas wikipédias da vida e do que diz apenas uma vertente da imprensa (sim, porque ler um jornal já é muito).
Somos globalizados alienados ou globalizados preguiçosos? A facilidade que a internet nos traz, pode ser um motivo de acomodação do indivíduo no tocante a busca ativa e crítica do conhecimento.
Monica Dib
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Depressão no idoso
Quando pensamos na velhice, sempre temos em mente uma época de descanso, reflexão e oportunidade para fazer coisas que foram deixadas de lado enquanto a família merecia atenção ou a carreira “atrapalhava” de alguma maneira.
Infelizmente, o processo de envelhecimento não é tão idílico assim. A vida do idoso pode, na verdade, estar à mercê de transtornos mentais e debilidade física, perda de amigos e das pessoas amadas, e a incapacidade de tomar parte de uma série de atividades, e isso pode contribuir para uma piora no sentimento de bem estar de forma generalizada.
Um adulto mais velho também pode ter a impressão de perda de controle sobre sua vida, ter a audição comprometida e enfrentar outros desafios ligados às limitações físicas, assim como estar suscetível a problemas externos, como uma condição econômica pouco confortável. Esses e outros assuntos podem contribuir para o aumento de tristeza, ansiedade, solidão, e perda da autoestima, o que pode levar a um isolamento social e apatia.
Depressão
Outra séria condição que pode emergir dessa situação é a depressão, que pode começar a ocorrer de forma recorrente. A depressão crônica tem reflexos físicos e mentais e pode complicar a saúde ou servir de gatilho para outros transtornos mentais.
Há evidências que as mudanças naturais do corpo durante o envelhecimento podem aumentar o risco desse tipo de depressão. Estudos recentes sugerem que uma menor concentração do fluxo de sangue e a debilidade do sistema nervoso pode contribuir para esse e outros transtornos, como a demência. Pesquisadores também apontam a ligação entre a depressão no idoso e a doença de Alzheimer.
Independente da causa, a depressão tem efeitos físicos alarmantes nas pessoas mais velhas. O índice de mortalidade, tanto de homens quanto mulheres, é maior do que naqueles que indicam uma maior satisfação com suas vidas. Tratamentos de pacientes depressivos e com problemas cardiovasculares também tendem a durar mais que o normal e são menos efetivos.
E mais: esses sentimentos de falta de perspectiva e isolamento podem levar a pensamentos suicidas, especialmente naqueles com limitações físicas ou que estão internados em asilos.
Um risco diário
A depressão no idoso também pode ter impactos na saúde de outras maneiras. Hábitos alimentares que podem levar à obesidade são comuns, ou no cenário inverso, uma falta de apetite constante diminui os níveis de energia, ou então se transformarem em uma condição ampla conhecida como “anorexia geriátrica”.
Os idosos com quadro depressivos também podem ter um maior nível de incidência de insônia e perda de memória. Os tempos de reação também diminuem, e isso contribui para um aumento de acidentes domésticos, confusão e consequente automedicação, além de aumentar os perigos ao dirigir.
O que se pode fazer?
Envelhecer é parte da vida de todos, mas a depressão não precisa ser inevitável. Pesquisadores concordam que reconhecer o quanto antes o quadro depressivo e tratá-lo adequadamente previne o quadro crônico e as consequências físicas e mentais.
Se você convive com uma pessoa idosa, abaixo algumas dicas que podem ajudá-lo:
• Esteja atento às limitações físicas da idade e à alimentação.
Se possível encoraje as pessoas mais velhas a consultar um médico e um profissional de nutrição para adequar as dietas e caso haja alguma nova atividade em curso é preciso ter em mente que isso pode diminuir a resistência do organismo.
• Respeite as diferenças individuais e trace estratégias específicas.
Pessoa mais velhas são mais aversas à mudanças no seu estilo de vida. Elas podem ser relutantes em adotar novos hábitos ou serem mais suscetíveis à opiniões de seu círculo social. Um psicólogo especializado em atender pessoas idosas pode contribuir para traçar estratégias para combater a depressão nesses indivíduos mais velhos
• Seja cuidadoso ao conversar sobre novos tratamentos ou mudanças de hábito.
Uma pessoa mais velha tem a autoestima naturalmente mais fragilizada e pode interpretar mal qualquer indicação que ela precisa de cuidados extras por causa da idade. Novamente: um psicólogo,[ psiquiatra ou geriatra] pode ajudá-lo a lidar com assuntos muito delicados.
Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria
A relação mãe-feto e as repercussões futuras para ambos
Nos últimos anos, um crescente número de pesquisas (Correia & Linhares, 2007; Piccinini, Marin, Alvarenga, Lopes, & Tudge, 2007; Watcher, 2002) têm estudado os processos através dos quais as pessoas estruturam, desenvolvem e mantêm laços afetivos ao longo do ciclo vital (...)
Nessa perspectiva, encontra-se a teoria do apego, igualmente nomeada como teoria da vinculação, formulada por Bowlby (1969/1984). Trata-se de uma concepção teórica do desenvolvimento sócio-emocional que considera a existência de uma necessidade humana inata para formar laços afetivos íntimos com pessoas significativas. Essa propensão já estaria presente no neonato em forma embrionária e continuaria na infância, vida adulta e velhice.
No período da infância, os vínculos são estabelecidos com os pais ou substitutos que são procurados na busca de conforto, carinho e proteção (...)
Na adolescência e vida adulta, esses laços persistem, sendo complementados por novos vínculos Para explicar tal processo, Bowlby (1989) utilizou o conceito de modelo interno de funcionamento, por meio do qual a criança constrói uma imagem de si mesma e de seus cuidadores que influencia o que ela sente em relação a ambos.
Esse modelo desenvolvido durante a infância evolui na medida em que a criança cresce, passando a fazer parte de sua personalidade, transformando-se em uma representação mental da relação de apego, que tende a persistir ao longo da vida e exerce influência nas futuras relações afetivas Nos primeiros anos de vida, a reciprocidade dos pais para responder às necessidades da criança e a qualidade da interação favorecem o desenvolvimento de um senso de segurança, uma noção de bem-estar e confiança que será utilizada como base para o conhecimento e exploração do ambiente.(...)
A partir dessas experiências, a criança vai estruturando um tipo de apego que é influenciado pela interação que estabelece com seus pais, ou substitutos.
A qualidade do relacionamento de apego entre os pais e seus progenitores reflete-se em seu estilo de apego com a criança e o modelo internalizado de apego da mãe está relacionado com a habilidade de entender e responder às necessidades de seu filho (...)
Desse modo, a representação mental do adulto, das suas próprias relações precoces de apego, reflete-se nos subsequentes comportamentos parentais. (...)
O Apego Materno Fetal (AMF) é um termo usado para descrever os comportamentos e atitudes da mulher de adaptação à gravidez (...)[é] a intensidade com a qual a gestante manifesta comportamentos que representam a afiliação e a integração com sua criança intra-útero.
Essa questões, ainda em discussão, poderão refletir em como a futura mãe se relacionará com o bebê (de uma forma ansiosa, depressiva, saudável) e como isso repercutirá nos futuros vínculos afetivos e sociais que esta criança terá no futuro.
Referências do texto: Paidéia maio-ago. 2009, Vol. 19, No. 43, 211-220
Para saber mais:
Bowlby, J. (1984). Apego: A natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes. (Original publicado em1969).
Bowlby, J. (1989). Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.
Brazelton, T. B., & Cramer, N. G. (1992). As primeiras relações. São Paulo: Martins Fontes.
Piontelli, A. (1995). De feto a criança: Um estudo observacional e psicanalítico. Rio de Janeiro: Imago.
Wilheim, J. (2000). Psiquismo pré e perinatal. In N. A. Caron (Org.), A relação pais-bebê: Da observação à clínica. São Paulo:Casa dp Psicólogo
sábado, 26 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Auto ajuda?
Acho no mínimo curioso esses livros de auto ajuda, que ensinam a controlar e gerenciar emoções.
Primeiro, deveriam se chamar livros de ajuda alheia, já quem ajuda a si mesmo não vai comprar esse tipo de livro.
Segundo, que tratam a mente humana, a alma humana e a singularidade dos indivíduos com uma receita de bolo única, simples e lógica.Convincente.Até o próximo livro de auto ajuda, onde a pessoa vai buscar a mesma solução para seus problemas.
Anjo Negro
Desafios...
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
Fernando Pessoa
NONSENSE
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Do Amor e do trabalho
“ – O que é trabalhar com amor?
É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado fosse usar esse tecido;
É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado fosse habitar essa casa;
É semear sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse colher os frutos;
É por em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma;
É saber que todos os abençoados mortos nos rodeiam e nos observam.”
Gibran Khalil Gibran
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A Caleidoscópica Clarice Lispector
“O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo.”
“O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo.”
“Inútil querer me classificar,eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me pega mais.”
A VITIMIZAÇÃO DO SOFRIMENTO

Pânico, depressão, ansiedade, fobia, stress. Alguns nomes largamente difundidos pelos meios de comunicação para o que Freud chamou mal-estar. Atualmente, nos chegam facilmente novidades produzidas pela ciência e difundidas pela rede mundial da Internet - terapias, remédios, livros de auto-ajuda. Sem contar as inúmeras opções que têm por objetivo eliminar todo e qualquer desconforto que possa ser experienciado pelo sujeito. Objetos que são elevados ao status de portadores da solução contra o mal-estar. Em contrapartida, o mesmo consumo exacerbado de bens e drogas que podem funcionar como alívio, também se apresentam como sofrimento.
O aumento da oferta desses produtos é fruto da cultura em que estamos inseridos, de exaltação do prazer a qualquer custo, em consonância com a lógica da sociedade de consumo, que incentiva a aquisição e o descarte de bens. Neste mesmo movimento, vemos o incremento da avaliação e dos protocolos como forma de universalizar e padronizar a partir da média, que acaba por excluir o que há de particular em cada sujeito.
Dessa maneira, o mal-estar e a idéia de um bem-estar absoluto contrastam diametralmente. Segundo a referência de nossa sociedade, devemos ser felizes e completos, extinguindo todos os fatores que causam desconforto e nos desviam da rota da plenitude.
Vê-se, atualmente, que há uma diminuição no interesse em se deixar questionar. Com a proliferação dos diagnósticos, que acabam funcionando como rótulos; ou com a oferta de livros de auto-ajuda, de programas de aconselhamento, ou do grande sucesso das psicoterapias, tudo pode ser justificado. O sujeito encontra-se cada vez mais acomodado numa posição de vítima ou de objeto, apenas aguardando o retorno da situação de prazer. Perde-se a dimensão de que cada sujeito é responsável por suas escolhas e que estas têm conseqüências.
Não haveria nenhum problema com o uso e o descarte de bens em prol da primazia do bem-estar se não fosse por um ponto: esse objeto escolhido pelo sujeito para tamponar a falta não sustenta essa função e o mal-estar sobrevém. O sofrimento retorna apesar de todas as tentativas de eliminá-lo por meio dos objetos.
Felicidade, Freud já nos havia alertado, é o que todos desejam. No entanto, acreditamos que uma saída para o sujeito é a de lidar com o seu sofrimento de maneira diferente, em vez de tentar eliminá-lo através de medidas paliativas. Essa é a proposta da psicanálise que, nesse panorama, trabalha com uma lógica diversa desta do alívio imediato e das soluções prontas.
A proposta da psicanálise no tratamento do mal-estar requer como condição uma abertura do sujeito à responsabilização por seu sofrimento.
Extraído de :PSICANÁLISE E LAÇO SOCIAL: BREVES CONSIDERAÇÕES. Marina Pereira Vieira e Vera Lopes Besset in : www.polemica.uerj.br
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Perversidade masculina: um ponto de vista

Onda de violência sexual contra crianças reflete perda de poder do homem na sociedade.
Uma reação à ascendência social da mulher, num processo psíquico provocado pela crise do poder masculino que se manifesta na prática de abusos sexuais contra crianças porque elas, devido a sua natural fragilidade, não são capazes de opor resistência. Assim o psicanalista Joel Birman define o crescimento da pedofilia e dos crimes com indícios de violência sexual contra crianças que vem se registrando no País (no Paraná, por exemplo, em apenas dez dias ocorreram quatro assassinatos de meninas, com essas características). Para Birman, de 62 anos, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o problema tomou maiores proporções com o surgimento de um novo modelo de sociedade, no qual a mulher disputa com o homem um lugar de destaque, pondo em xeque a "virilidade" social masculina. "Estamos falando, portanto, de algo que diz respeito essencialmente ao universo do homem", frisa Birman, que chama a atenção para outro aspecto, ainda que "secundário", da questão no Brasil: "Nossa sociedade erotiza muito a criança", diz ele. Classificada, em termos psicanalíticos, no rol das perversões, a pedofilia encontra um facilitador quando existem condições sociais adversas à criança: "Quanto mais precarizadas são as famílias, quanto mais desorganizadas elas são do ponto de vista sociológico, maiores as possibilidades de ocorrência de abusos sexuais contra meninas e meninos", alerta Joel Birman.
NOVA ORDEM FAMILIAR
"O crescimento do número de abusos sexuais contra crianças praticados inclusive por seus pais é um problema que faz parte do mundo pós-moderno, pós-patriarcal em que vivemos, no qual a família nuclear burguesa entrou em processo de desconstrução. Nessa família, o pai já havia perdido parte de seu poder: a mãe era a figura pivô de toda a relação da criança com o mundo e esta ocupava um lugar fundamental, como matéria-prima simbólica do futuro da nação. Claro que a mulher, como sabemos, pagava um preço muito alto por deter aquele poder. A partir dos anos 1950 e 60, quando a mulher deixou sua posição exclusiva de mãe e passou a disputar com os homens um lugar no mercado de trabalho, um lugar social diferente, a família se modificou. A ordem familiar até então conhecida já não funcionava mais - surgiu, então, a família pós-moderna, com seus novos papéis. No espaço público, os homens passaram a se sentir ameaçados pela ascendência social da mulher. Curiosamente, o que se verifica é que o abuso sexual contra crianças cresceu a partir desse momento. Claro que isso já existia antes, mas é significativa a dimensão que tomou há cerca de cinco décadas. Todos esses casos recentes de que temos notícia são sintomas de que o limiar da ordem familiar burguesa foi ultrapassado e as crianças se transformaram em objeto de desfrute sexual.
FRAGILIDADE
"O que leva o pedófilo a querer abusar de uma criança é que ela é um ser indefeso. Não opõe resistência ao desejo do pedófilo. O que o pedófilo quer é um corpo para realizar seu desejo sem que se imponha nenhum tipo de resistência do objeto sexual. Numa relação com uma mulher adulta, ele pode ter resistência - como a própria afirmação do desejo dela. Ora, o pedófilo não suporta a manifestação do desejo sexual de seu objeto. Ele quer ter à mão um ser passivo, que possa dominar facilmente, inclusive com sua força física, para que fique à mercê de sua vontade. Você pode imaginar que, numa sociedade onde a mulher se torna mais ativa, como na nossa sociedade contemporânea, na qual ela quer disputar um outro lugar social, o homem, o pedófilo não suporta essa nova realidade - de uma mulher que resista. A pedofilia é, assim, ao mesmo tempo, uma agressão à criança e uma reação contra a maior afirmação do poder da mulher na nossa sociedade.
HOMOSSEXUALIDADE E REPETIÇÃO
"Os homens que abusam de crianças têm um problema de afirmação de sua virilidade. E o pedófilo que abusa de garotos, significa o seguinte: o menino penetrado é uma projeção dele mesmo, que revela, assim, uma questão relacionada a sua identidade sexual, quer dizer, existe aí um componente da sua homossexualidade. De qualquer forma, é importante lembrar de um aspecto que costuma ser registrado pela literatura que trata desse assunto: é muito comum que o adulto que abusa sexualmente de uma criança tenha sido, também, abusado na infância. O que há, assim, é uma espécie de reação de resposta a uma agressão que esse sujeito teve em sua história pretérita; a criança do aqui e agora ocupa o lugar que um dia ele ocupou. Existe, então, para além da componente da fragilidade do menino, que serve à intenção geral de um pedófilo de realizar seu desejo sexual sem resistência, uma dimensão relacionada à homossexualidade e uma repetição invertida de uma experiência de abuso que o agressor sofreu quando criança.
EROTIZAÇÃO DA INFÂNCIA
"A sociedade brasileira erotiza muito a criança. Isso não é propriamente novo. A erotização da nossa vida social vem do século 19. A própria construção da modernidade brasileira, vem da idéia de que somos primitivos, de que manifestamos nossa vida sexual com muita intensidade. O que há de novo hoje é que, ao lado dessa condição de sexualização de adultos, que atinge também as crianças, é que elas, como sabemos, são expostas muito cedo, através da televisão e de outras mídias, a cenas de violência, inclusive sexual. O que eu quero frisar, porém, é que isso constitui um aspecto secundário do problema - que ocorre mais em função daquela transformação familiar a que me referi antes.
CIRCUNSTÂNCIAS SOCIAIS ADVERSAS
"Em famílias mais pobres, de favelas, de periferias das grandes cidades, a figura do pai muitas vezes nem existe; são famílias em que apenas a mulher trabalha. Assim, a criança, já sem proteção paterna, fica também sem o amparo materno e, freqüentemente, também sem o apoio institucional - de uma creche, por exemplo. Ora, as crianças de tal modo abandonadas ficam, é evidente, mais carentes. Então, qualquer adulto que se aproxime delas oferecendo algum tipo de carinho, de proteção que a própria condição social adversa não lhe permite, pode seduzi-la facilmente. Essa situação é, portanto, um facilitador para o pedófilo. Quanto mais precarizadas são as famílias, quanto mais desorganizadas elas são do ponto de vista sociológico, maiores as possibilidades de ocorrência dos abusos sexuais. Nós verificamos isso também nas famílias de classe média. O que acontece nelas? As crianças muitas vezes ficam com babás, com empregados - e é comum que sejam maltratadas e abusadas sexualmente por intermédio deles. Até porque, para as crianças, esses adultos representam autoridade e alguém que está lhes oferecendo ?carinho? - e é nessa condição que elas são usadas sexualmente, de modo perverso.
MEDO
"Muitas vezes, os pais, em especial a mãe, não levam em conta o que a criança diz; a queixa, a denúncia que ela faz cai, freqüentemente, por terra. É muito comum isso ocorrer quando o abuso partiu do padrasto, ou mesmo do pai da criança - não raro porque a mulher teme perder o marido (mais ou menos como acontece em casos de estupro e de violências domésticas). O silêncio também pode surgir pelo temor de estigmatizar não apenas a família, de um modo geral, mas em particular a criança. Isso pode acontecer tanto nas classes menos favorecidas como nas que estão mais bem colocadas na pirâmide social.
COMOÇÃO E NOSTALGIA
"Apesar de vivermos em um mundo marcado pela auto-exaltação desmesurada da individualidade, quando surgem notícias de abusos sexuais contra crianças costumamos assistir a uma reação de indignação da sociedade, uma comoção nacional. Existe aí o cruzamento de dois aspectos. Primeiro é que todos nós, quando uma criança é abusada sexualmente, quando ela é morta, nos sentimos identificados com essa pequena vítima. Há um tipo de matriz primária, originária do ponto de vista psíquico que faz com que nos coloquemos no lugar da criança. Por outro lado, a comoção também é um lamento raivoso, que fala da mudança do modelo da sociedade moderna para a pós-moderna. Nessa indignação existe uma espécie de nostalgia, uma vontade de que o modelo anterior fosse restituído. Não será. Mas há uma indignação que devemos restaurar: o valor do corpo infantil.
(...)
PASSAGEM DO MUNDO VIRTUAL PARA O REAL
"O pedófilo virtual pode, sem dúvida, vir a se transformar num pedófilo real. Se ele tiver obstaculizada a sua possibilidade de brincar de ser pedófilo virtual, vai passar ao ato e se transformará no pedófilo real. Como todos os perversos, o pedófilo é um ser bastante impulsivo, portanto, a possibilidade de passar ao ato real é muito grande."
Fonte: www.estadao.com.br em 22/11/2008
A LIMINAR DA IMPUNIDADE

O ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça, concedeu liminar a favor do banqueiro Daniel Dantas. Segundo o advogado de defesa, a medida suspende as ações que tramitam na Justiça Federal em São Paulo contra Dantas.
Essas ações foram resultado da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Se no mérito, o STJ confirmar a liminar, todos os atos praticados pelo Juiz Fausto de Sanctis até agora, inclusive a condenação de Daniel Dantas, poderão ser anulados.
Deflagrada no dia 8 de julho, a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, apura um esquema ilegal de investimentos no exterior e também uma tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal para conter as investigações. Entre os 17 presos na operação estavam o banqueiro Daniel Dantas, o doleiro Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, que morreu no mês passado.
Segundo informações da Polícia Federal, trata-se de uma investigação iniciada há quatro anos e que traz informações repassadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a Justiça Federal de São Paulo. De acordo com a PF, o nome da operação significa "resistência pacífica e silenciosa".
A operação também criou polêmica por antagonizar o juiz federal Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. Além disso, a saída do delegado Protógenes Queiroz, que estava no comando do caso, levantou a discussão de que ele estaria deixando a operação por pressão de seus superiores.
Fonte: http://g1.globo.com
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Lya Luft: uma guerreira feminina
Por se tratar de cidade de colonização alemã, as crianças, em quase sua totalidade, falavam alemão, e os livros utilizados nas escolas vinham da Alemanha. Com onze anos, Lya decorava poemas de Goethe e Schiller.
Formou-se em padagogia e letras anglo-geramânicas.
Posteriormente, estudou em Porto Alegre (RS), onde se formou em pedagogia e letras anglo-germânicas.
Tradutora de mais de cem livros do alemão e inglês para o português.Traduziu autores como traduções de Virginia Wolf, Reiner Maria Rilke, Hermann Hesse.
Iniciou sua carreira literária escrevendo poemas e crônicas para o jornal Correio do Povo. Publicou livros de poemas, romances e novelas, tendo textos seus adaptados para o teatro.
Conheceu Celso Pedro Luft, seu primeiro marido, quando tinha 21 anos. Ele tinha quarenta. Era irmão marista. Foi numa prova de vestibular. Achou-se ridícula quando pensou: esse é o homem da minha vida! O irmão marista tirou a batina para casar com ela em 1963.
Nessa paixão, começou a escrever poesia. Os primeiros poemas foram reunidos no livro "Canções de Limiar" (1964).
Tiveram três filhos: Suzana, em 1965; André, em 1966; e Eduardo, em 1969.
Dos 25 aos 47 anos foi casada com Celso Pedro Luft. Separou-se dele em 1985 e foi viver com o psicanalista e escritor Hélio Pellegrino, que morreu três anos depois. Em 1992 voltou a casar-se com o primeiro marido, de quem ficou viúva em 1995.
Mulher antenada com as questões de seu tempo, Lyl Luft é a escritora contra os estereótipos e imposições sociais. Disse ela, certa vez : “Na ambição de serem sempre jovens, as mulheres acabam perdendo o próprio rosto. São os falsos mitos da juventude para sempre. E isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários orgasmos numa única noite. Só se fala em como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é outra coisa para o enlouquecimento".
"Tento entender a vida, o mundo e o mistério e para isso escrevo. Não conseguirei jamais entender, mas tentar me dá uma enorme alegria. Além disso, sou uma mulher simples, em busca cada vez mais de mais simplicidade. Amo a vida, os amigos, os filhos, a arte, minha casa, o amanhecer. Sou uma amadora da vida. O que você nunca vai esquecer? Escutar o vento e a chuva nas árvores do imenso jardim que cercava a casa de meu pai, na minha infância". Puro maravilhamento. O que lhe causa repugnância? Preconceito, hipocrisia. Vale a pena escrever? "Não escrevo porque “valha a pena”, mas porque me faz feliz, simplesmente".
Canção das mulheres
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
domingo, 20 de dezembro de 2009
10% das mulheres em idade reprodutiva sofrem de endometriose

Mais de seis milhões de mulheres no Brasil têm endometriose, doença que já está sendo considerado um problema de saúde pública.
De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a quantidade de diagnósticos da doença aumentou em cerca de 65%, nos últimos sete anos.
Segundo estimativas da Associação Brasileira de Endometriose, o problema está presente em 10% das mulheres em idade reprodutiva.
Todos estes números podem não representar a verdadeira incidência de casos, já que a endometriose é uma doença difícil de ser diagnosticada.
- Apesar da gravidade da doença e do grande número de mulheres que sofrem com este mal, a desinformação a respeito da endometriose leva ao diagnóstico tardio, piorando as condições de tratamento e prolongando o sofrimento feminino. Informações devem ser divulgadas principalmente entre as adolescentes e às mulheres em idade reprodutiva - afirmam os especialistas em Reprodução Humana, Isaac Yadid e Márcio Coslovsky, da Huntington Centro de Medicina Reprodutiva.
Um outro dado que vem chamando a atenção dos especialistas, é o fato de que cada vez mais adolescentes estão sofrendo com a doença.
Segundo os médicos, no início da adolescência, os fluxos menstruais são irregulares, tanto em relação ao número de dias quanto ao intervalo entre eles. Porém, a situação costuma se normalizar após dois anos. "Se a variação se mantiver depois desse período, o ideal é consultar um ginecologista", recomenda o especialista.
De 40% a 50% das adolescentes que apresentam cólica incapacitante, quer dizer, dor intensa que requer repouso e as impede de exercer as atividades normais podem apresentar endometriose.
- A recorrência de cólicas incapacitantes é um dos primeiros sintomas da endometriose, que pode levar à infertilidade na idade adulta e que tem muito mais chances de ser contornado com um diagnóstico precoce - alerta Isaac Yadid.
Os médicos alertam para as queixas de cólicas intensas, que devem ser valorizadas, pois há dados que comprovam que mulheres com tendência a desenvolver a endometriose sofrem com as dores a partir dos 14, 15 ou 16 anos.
Muitas pessoas acreditam que sentir dor durante o período menstrual é normal. E essa é uma das razões pelas quais o diagnóstico tardio da doença é feito.
Segundo estimativas do Nepe, Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em Endometriose, meninas que começam a sofrer com os sintomas na adolescência chegam ao diagnóstico até 12 anos depois, quando muitos estragos já foram feitos ao corpo.
Fonte : Jornal do Brasil







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